O apelidado de imperador dos produtores de Hong Kong, Run Run Shaw, faleceu nesta terça-feira (7 de Janeiro) aos 106 anos, deixando para trás deixa um legado invejável de produções e um vasto império.
O seu nome verdadeiro é Shao Yifu, filho de comerciantes de têxteis em Xangai, Run Run Shaw iniciou-se no cinema em conjunto com o seu irmão Runme em 1924 na China, fundando a Shaw Brothers, mas devido aos conflitos entre nacionalistas e comunistas decidem operar em Singapura.
Run Run muda-se para Hong Kong após a 2ª Guerra Mundial, com o intuito de explorar o já então crescente mercado cinematográfico, um dos poucos e predominantes focos de cinema comercial na China. O produtor apostou maioritariamente nas artes marciais, convertendo e sendo apelidado do pai do género do “kung fu“, criando autênticos êxitos, mesmo no Ocidente. Para além disso, a sua casa foi propícia na formação de novos cineastas, como John Woo e Tsui Hark.
O período mais negro da carreira de Run Run deu-se quando recusou trabalhar com Bruce Lee, que exigia liberdade artística nos seus filmes, tendo a estrela máxima do género sido “apadrinhada” pela produtora rival, a Golden Harvest (formada por Raymond Chow, antigo colega do produtor). Em 1974 foi condecorado pela Rainha Isabel II como Comandante da Ordem do Império Britânico e passados três anos foi promovido a Cavaleiro.
No seu catálogo de produções podemos encontrar obras como Dirty Ho (1976), The 36th Chamber of Shaolin (1978) e Destroyers of the Five Deadly Venoms (1979). Foi também um dos co-produtores da obra-prima de Ridley Scott, Blade Runner (1982), um dos seus raros trabalhos fora da indústria asiática.

