Morreu Patrice Chéreau

(Fotos: Divulgação)

Patrice Chéreau na apresentação em Veneza de Persécution

Morreu aos 68 anos o encenador e realizador francês Patrice Chéreau.

A noticia foi avançada pelo jornal Liberation, que adiantou que o artista, ou «artesão» como gostava de se apelidar, estava doente há algum tempo, travando uma luta contra um cancro no pulmão.

Nascido em em Lézigné, Maine-et-Loire, França, no ano de 1944, Chéreau começou cedo a sua carreira no teatro, quer como ator, quer como encenador. «Aos 15 anos sabia que queria fazer teatro», afirmou ao Liberation em 2010, ano no qual já complementava o seu extenso curriculum como curador convidado do Museu Louvre.

Com apenas 19 anos começou a encenar profissionalmente e com 25 anos, em 1969, trabalhou na sua primeira ópera, talvez a arte onde primeiro se consagrou mundialmente, especialmente depois de montar com o maestro Pierre Boulez O Anel do Nibelungo no Festival de Bayreuth, em 1976, celebrando o centenário da primeira apresentação da obra do compositor Richard Wagner.

Um ano antes, em 1975, iniciava a sua carreira de realizador no cinema com A Rapariga da Orquídea, um filme que adaptava a obra literária de James Hadley Chase e que acabaria por alcançar duas nomeações aos César. Até 1994 – altura em que executou A Rainha Margot, também esta uma adaptação literária, desta vez de Alexandre Dumas (pai) – filmou diversas obras, mantendo-se sempre muito ativo no teatro.

Com Margot conquista o Prémio do Júri em Cannes, seguindo-se filmes como Quem Me Amar Irá de Comboio (1998), Intimidade (2001) [adaptação da obra de  Hanif Kureishi], O Seu Irmão (2003), Gabrielle (2005) [adaptação de uma obra de Joseph Conrad] e Persécution (2009). Nestes, destacam-se os dramas de 2001 e 2003, pelos quais venceu, respetivamente, o Urso de Ouro e o Urso de Prata no Festival de Berlim.

Patrice Chéreau nas filmagens de Gabrielle

A Cannes, onde já tinha estado com L’homme blessé, onze anos  antes de vencer com A Rainha Margot, o cineasta levou ainda o já referido Quem Me Amar Irá de Comboio (1998), sendo convidado em 2003 para presidente do júri principal, que acabaria por premiar Elephant, de Gus Van Sant, com a Palma de Ouro, Uzak, de Nuri Bilge Ceylan, com o Grande Prémio do Júri, e ainda Às Cinco da Tarde, de Samira Makhmalbaf [Prémio do Júri]

No cinema, e como ator também tem os seus créditos, tendo participado em filmes como O Caso Danton (1983), do polaco Andrzej Wajda, Adieu Bonaparte (1985), do egípcio Youssef Chahine, O Último dos Moicanos (1992), do norte-americano Michael Mann, e O Tempo do Lobo (2003), do austríaco Michael Haneke. Na memória fica ainda a sua contribuição vocal como Marcel Proust em O Tempo Reencontrado de Raoul Ruiz.

Apesar de ter passado algumas vezes por Portugal, a sua carreira mereceu maior destaque quando foi homenageado pela Sociedade Portuguesa de autores como o melhor autor estrangeiro em 2011.

Presentemente, Chéreau preparava-se para estrear, a 14 de março de 2014 no palco do Ódeon em Paris, Como vos aprouver, de William Shakespeare, uma peça que conta no elenco com Gérard Desarthe, o seu Hamlet há 25 anos atrás. Já no cinema planeava desde 2010 adaptar o romance de Laurent Mauvignier, Des Hommes, na qual seguimos três veteranos da Guerra da Argélia.

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