Morreu o cineasta Michel Brault

(Fotos: Divulgação)

Morreu aos 85 anos Michel Brault, um cineasta que entre a ficção e o documentário, como diretor de fotografia, editor ou realizador, esteve envolvido em mais de 200 filmes ao longo de 50 anos de carreira.

Segundo a emissora pública Rádio Canadá, Brault não resistiu a um ataque cardíaco fulminante.

Nascido em 25 de junho de 1928 em Montreal, no Canadá, Brault trabalhou como fotógrafo profissional antes de entrar na área do cinema e do documentário graças ao incentivo e apoio do seu amigo e colega Claude Jutra.

Entre 1953 e 1954 colaborou com Jacques Giraldeau em Petites médisances (39 episódios), uma série executada com os princípios inovadores do movimento Candid Eye (o apelidado olho imparcial), que procura o registo do acaso e do espontâneo como a única garantia de um contacto íntimo e imediato com o real.

É como diretor de fotografia que colabora com Fernand Dansereau (La communauté juive de Montréal, 1956), Terrence McCartney Filgate & Wolf Koenig & Stanley Jackson (The Days Before Christmas, 1958) e Gilles Groulx (Les raquetteurs, 1958). É nesta curta que se rompe com o tradicional Candid Eye, eliminando, por exemplo, o uso de teleobjetivas e do comentário em off que sempre deram um tom didata aos filmes da National Film Board/Office National du Film do Canadá1.

Em 1961 trabalhou com Gilles Groulx em Golden Gloves, e em Chronique d’un été, um aclamado documentário do pai do cinema verité Jean Rouch e de Edgar Morin, com o qual conquistou o prémio da crítica em Cannes. No ano seguinte, regressa ao Canadá e colabora com Denys Arcand, Denis Héroux e Stéphane Venne em Seul ou avec d’autres.

Em 1963 colabora novamente com Jutra em À tout prendre, abandonando progressivamente a prática do cinema documental. O seu interesse agora é a ficção, algo que assumiu porque «não se finge ser a verdade, e como tal não é mentira». Como diretor de fotografia trabalha com Jutra novamente em Mon oncle Antoine (1971) e Kamouraska (1973). Pelo meio ainda colabora com Francis Mankiewicz em Le temps d’une chasse (1972), numa parceria que seria repetida em 1979 no filme Les bons débarras.

Foi em 1974 que se consagrou como realizador, com o filme Les Ordres. Este drama histórico sobre o confinamento de centenas de pessoas depois da «crise de outubro» no Quebeque valeu-lhe várias distinções nos Prémios do Cinema Canadiano, bem como um nomeação à Palma de Ouro em Cannes (1975) e o triunfo no Croisette na categoria de Melhor Realizador.

Em 1975 trabalha com Anne Claire Poirier [eternamente conhecida por ter sido a realizadora de De mère en fille (1968), a primeira longa-metragem filmada por uma mulher franco-canadiana2] em Le temps de l’avant, repetindo a colaboração com a realizadora em 1979 [com Mourir à tue-tête, que deu que falar na secção Un Certain Regard em Cannes] e 1982 [com La quarantaine].

Em 1986 trabalha com Richard Pearce no filme de ação e romance Sem Perdão, uma obra que contava com Richard Gere e Kim Basinger nos principais papéis. Posteriormente a esta obra, ainda trabalha mais algumas vezes, quer na TV, quer no cinema, mas progressivamente os seus projetos tornam-se mais escassos.

Segundo a agência AFP, Brault tinha previsto participar nos próximos Encontros Internacionais do Documentário de Montreal em novembro para comemorar o 50° aniversário de estreia de seu documentário, Pour la suite du monde (1963), que co-assinou com Pierre Perrault.

1 in Filmes Polvo
2 in Wikipedia

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