Bling Ring – O Gangue de Hollywood: Sofia Coppola diz que esse “não é o seu mundo”

(Fotos: Divulgação)

Sofia Coppola inspirou-se num artigo da Vanity Fair para conceber uma história de quatro raparigas e um rapaz cujo modelo de vida das estrelas as leva a entrar em mansões de celebridades para roubá-las. Sintomaticamente, o artigo chamava-se “The Suspects Wore Louboutins” (para os não entendidos, “louboutins” são uns sapatos femininos bem caros). A realizadora, que há muito se interessa pelo vazio da vida dos ricos, utilizou o estilo comum a outros trabalhos seus para narrar o quotidiano destes jovens, que consiste, essencialmente, em dançar, drogar-se e planear o próximo roubo.

“Esse não é o meu mundo”!

É muito fácil associar a realizadora, que é filha de Francis Ford Coppola e cresceu num meio onde abundam vaidades e frivolidades, com aquilo que mostra no seu filme. Em entrevista ao The Telegraph, no entanto, fez questão de enfatizar que nada tem a ver com esse universo nem está particularmente interessada na “cultura de celebridades“. “Estes miúdos estavam a tentar encontrar as suas identidades e queriam parecer com aquelas pessoas em cujas casas entravam. Eles pensavam que tocando em algo destas vidas glamorosas, isso faria delas alguém. Elas são parte da nossa cultura televisiva e achei que valeria a pena dar uma olhada nisto“, disse.

Obviamente a realizadora está sempre a lidar com o seu parentesco, principalmente por ser filha de um dos mais geniais cineastas de sempre. Segundo disse, ambos têm uma relação de grande cooperação. No caso deste projeto, Coppola pai foi produtor executivo e deu sugestões na edição final. “Eu respeito-o muito, embora no final faça sempre as opções que entendo serem melhores para mim e para o filme“.

Para deixar claro que nada tem a ver com esses garotos, ela diz que nem sequer usa o Twitter ou o Facebook. “Com dois filhos e uma carreira para gerir, não tenho tempo para isso. Além do mais, não me sentiria confortável em partilhar as minhas coisas desta forma“.

Ao contrário dela, Paris Hilton, que faz um cameo no filme e gosta de partilhar mesmo tudo, deve ter gostado do retrato (a despeito de terem roubado cocaína do seu carro) e até permitiu que filmassem em sua casa.

O gangue da futilidade

A líder do gangue que não tem nada de útil para fazer e, pior, pensar, não é a atriz mais conhecida do filme, a ex-Hermione Grangier da saga “Harry Potter“, Emma Watson. Ela aqui é Nicki, que limita-se a fazer o que todas as outras fazem: experimentar roupas e roubar jóias. A seguir os passos dos mais artisticamente ambiciosos ídolos juvenis, a carreira de Watson depois de Potter, cujo último filme foi lançado em 2011, parece pensada para desvincula-la o máximo possível da saga dos feiticeiros. “A Minha Semana com Marilyn“, hit independente de 2011, o magnífico “As Vantagens de Ser Invisível”, lançado por cá no ano passado e agora este trabalho indicam isto – embora o melhor pareça estar por vir, com Nóe de Darren Aronovsky, previsto para 2014.

Quem são os outros membros do gangue? A mais conhecida é Taissa Farmiga, da série televisiva American Horror Story. A líder, Katie Chang, só tem uma longa-metragem no currículo, A Birder’s Guide to Everything, ainda sem lançamento comercial. Muitos veículos importantes elogiaram seu trabalho. Ao que parece, foi a sua falta de currículo que, ao contrário de Watson, determinou a sua escolha, pois Sofia Coppola disse ter encontrado nela uma naturalidade que é diferente dos jovens atores que já acumulam muita experiência. Muito pouco background tem também Israel Broussard e Claire Julien (foi uma criada no último “Batman”). Leslie Mann completa o elenco principal, fazendo a mãe de Nicki.

Para amar ou odiar

Lançado em pouco mais de 650 salas nos Estados Unidos (um blockbuster é lançado em 4000), “Gangues de Hollywood” teve uma bilheteira sólida, como também já tinha tido em França, primeiro país onde foi lançado depois de passar pela mostra Un Certain Regard, do Festival de Cannes.

Já entre os críticos teve aquele condão próprio de algumas obras (ao qual ela já não é alheia desde “Maria Antonieta“); de agradar a metade e irritar os que sobram profundamente. Para o Chicago Times, trata-se de um “astuto, algumas vezes hilário e a tempos sóbrio olhar sobre a fascinação pela cultura de celebridades do século XXI”. Já o Philadelphia Inquirer entendeu que o filme é uma “enérgica, elegante e atrativa comédia, se entendermos que o que ele diz sobre a nossa obsessão pelos frívolos e famosos não é totalmente deprimente”.

Gangues de Hollywood” rendeu arroubos inspirados de críticos muito azedos. O jornalista do Urban Cinefile disse que “os personagens são vazios, estúpidos, negligentes, irresponsáveis, egoístas e extremamente irritantes. Eu gostaria de esmaga-los da mesma forma que eles o fazem com a cocaína roubada“. Já o crítico da The Playlist observou que “a falta de foco reduz a pouco qualquer coisa que “Gangues de Hollywood” tivesse para dizer“.

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