Demandas políticas marcam os discursos inaugurais da 75ª edição de Cannes

(Fotos: Divulgação)

Cerca de cinco horas antes de exibir o seu filme de abertura, “Coupez!”, do francês Michel Hazanavicius, o Festival de Cannes resolveu inaugurar as atividades da sua 75ª edição com um par de conferências de imprensa: uma dedicada à apresentação do júri da corrida à Palma de Ouro e a outra devotada à Palma de Honra entregue a Forest Whitaker. Mas a tónica política marcou ambas, inflamando-as.

Trabalhei uma vez em Uganda, em contato com as crianças de um orfanato e, o processo era como se eu estivesse revisitando as crianças que vi enquanto crescia. É importante saber reconhecer o potencial nos indivíduos”, disse Forest, ao falar da sua ONG, a Whitaker Peace and Development Initiative (WPDI), que combate o racismo e a luta pela sustentabilidade.

A sua conversa com o jornalista Didier Allouch foi marcada pela promessa de boas novas para o cinema, uma vez que o ator confirmou estar no elenco de “Megalópolis”, de Francis Ford Coppola, e anunciou para agosto as filmagens. “É um guião bom e o Francis é um grande cineasta”, disse o ator, que ganhou o Prémio de Interpretação da Croisette em 1988, por “Bird”, de Clint Eastwood, onde interpretava o saxofonista americano de jazz Charlie Parker (1920-1955).

Já o encontro com o júri teve os seus contratempos. Além de Lindon, julgam as longas-metragens quatro atrizes de peso: Deepika Padukone (Índia), Noomi Rapace (Suécia), Rebecca Hall (Inglaterra) e Jasmine Trinca (Itália), sendo que estas duas também são realizadoras; e quatro cineastas: Asghar Farhadi (Irão); Ladj Ly (Mali – França); Jeff Nichols (EUA); e Joachim Trier (Noruega).

É muita responsabilidade, mas tentarei estar atento às emoções, sem juízos prévios”, disse Lindon, sem o fervor habitual das suas reflexões cítricas acerca da culto à celebridade.

Perguntas sobre equidade de género e o aumento das populações negras em cena inflamaram os ânimos. No fim da conversa, um dos jurados, o iraniano Asghar Farhadi, teve de responder sobre o processo de plágio que enfrentou no seu país, negando que tenha plagiado odocumentário de Azadeh Masihzadeh para criar o seu “A Hero” (Um Herói).

É um work in progress o aumento da presença feminina em toda a indústria”, disse Rebecca Hall.
Já Noomi Rapace seguiu por um caminho mais poético ao dizer: “O poder de um filme é ser o oxigénio emocional”.

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