Utilizando as paisagens da Finlândia como local de filmagem, mas recriando fielmente as vastas planícies geladas do Minnesota — evocando inevitavelmente Fargo (1996) —, o realizador Brian Kirk, conhecido por séries como Luther e Guerra dos Tronos, coloca Emma Thompson no papel de uma viúva que se vê envolvida numa luta pela sobrevivência ao testemunhar, por acaso, o sequestro de uma adolescente.
Estruturado como um thriller que mergulha progressivamente na intimidade de uma mulher, interpretada por Emma Thompson, The Dead of Winter (Inverno Mortal) combina suspense e drama emocional através de flashbacks que evocam o seu passado, a relação com o marido falecido e a ligação ao território que agora percorre. O filme desafia convenções ao colocar uma mulher idosa e aparentemente frágil no centro da ação — mas é precisamente no luto e na memória que nasce a sua força para fazer aquilo que tem de ser feito.
Foi num dos vastos lagos da região que ela e o companheiro tiveram o seu encontro marcante — um lugar a que regressa agora para espalhar as cinzas do marido. Perdida na sua rota, pede direções a um homem estranho, cuja atitude suspeita lhe desperta desconfiança. Mais tarde, ao regressar à cabana, descobre, horrorizada, uma jovem (Laurel Marsden) mantida em cativeiro no porão.
Tal como acontece na maioria dos thrillers de sobrevivência ou policiais ambientados em paisagens geladas e isoladas, a própria natureza funciona como antagonista, moldando e limitando as ações tanto da heroína de serviço como da dupla de sequestradores — marido e mulher, interpretados por Marc Menchaca e Judy Greer.

É a presença de Emma Thompson no elenco que confere profundidade a um thriller repleto de elementos convencionais e derivativos. A forma como ela se transforma em salvadora — sem poderes especiais, mas munida de conhecimento do terreno e experiência de vida — parece natural e credível, mesmo quando escolhe continuar a agir com humanidade, algo cada vez mais raro em heróis cinematográficos. Já os vilões, infelizmente, são desenvolvidos de forma superficial e estereotipada pelo guião.
Judy Greer impõe-se numa personagem mal construída: uma mulher dominadora, com indícios de dependência, que lidera o sequestro e humilha constantemente o marido. Já este, interpretado por Marc Menchaca, age sob a sua influência, movido mais pelos seus desejos que por convicções próprias.
O resultado final é um thriller que consegue manter-se a flutuar graças ao carisma de Emma Thompson e à construção da sua personagem marcada por uma coragem pragmática e sentido de missão.




















