La Isla: o que não se mostra, mas não se esquece

(Fotos: Divulgação)

Jogando com as elipses, com o fora de campo e inspirando-se nas memórias de infância e num poema da prémio Nobel Wislawa Szymborska, a chilena Dominga Sotomayor e a polaca Katarzyna Klimkiewicz alcançam, numa média-metragem, aquilo a que muitos cineastas aspiram nas suas longas: criar uma tensão pungente, atordoante, e um ambiente funesto, num filme em que a escassez narrativa é totalmente remetida para segundo plano.

Em La Isla, acompanhamos uma família que se reúne na sua casa de campo durante o verão. Falta alguém — e nós sabemos porquê, pois logo no início percebemos a tragédia. Brincando cronologicamente com a ação, as duas realizadoras conduzem o espectador a outros tempos, em que nem todas as más notícias chegavam com a rapidez que a sabedoria popular insinuava.

Bem filmado, com um excelente trabalho sonoro, uma cinematografia pesada na tristeza que transmite, e construído com a linguagem de um thriller que caminha para um clímax doloroso (que adivinhamos desde cedo), La Isla é um belo exemplo de como aquilo que nunca vemos — o fora de campo — é justamente o que mais nos prende e cativa no cinema.

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