A atriz Angelina Jolie, que assume o papel de Maria Callas no novo filme do chileno Pablo Larrain, afirmou no Festival de Veneza que treinou durante 7 meses para assumir o papel, utilizando as gravações dos ensinamentos da falecida cantora de ópera. “Tive muita sorte, porque tive aulas com a Maria”, afirmou Jolie. “Quando se trabalha com o Pablo não se pode fazer nada pela metade. Ele exige de uma forma maravilhosa que se trabalhe, que se aprenda e se treine (…) Lembro-me de estar muito nervosa na minha primeira vez a cantar. Os meus filhos estavam lá e ajudaram a bloquear a porta para que não entrasse ninguém. Estava a tremer e o Pablo, na sua decência, começou por me colocar a cantar numa sala pequena, mas acabou no La Scala. Deu-me tempo para crescer. Tinha medo de não estar à altura dela”.
Já Larrain, realizador de filmes sobre personalidades como Jacqueline Kennedy (Jackie) e Princesa Diana (Spencer), adicionou: “Foi um processo de seis a sete meses. Primeiro, a respiração, a postura e, depois, o controlo da laringe”. Ele acrescentou que Jolie aprendeu as canções “praticamente na ordem” em que são cantadas no filme. “Foi o que fiz; ao abordar a música dessa forma, a última coisa a fazer é deixar entrar a nossa personalidade e emoção.”, afirmou Jolie.
Considerado por muitos um “anti-biopic”, “Maria” tem por base em relatos verídicos e conta a “história tumultuosa, bela e trágica” da vida de uma das maiores cantoras de ópera do mundo, revivida e reimaginada durante o seu final na Paris dos anos 1970.

“Uma diva nunca existiria se não houvesse excelência no que faz”, disse Larraín, “Ela era simplesmente dura com o trabalho, e isso chama-se disciplina. Na ópera, tal como no cinema, se não tiveres disciplina estás fora”.
Já Jolie definiu Callas como uma pessoa extremamente trabalhadora, incapaz de fazer mal a alguém. E a atriz espera que este filme “traga mais pessoas para a ópera, para a explorarem e deixarem que ela as afete e comova”. “Quando sentimos um certo nível de desespero, de dor, de amor – a certa altura, só há certos sons que podem corresponder a esse sentimento. Para mim, a imensidão do sentimento encapsulado nos sons da ópera, não há nada como isso”, concluiu.
O Festival de Veneza termina a 7 de setembro.

