Gotham City nas galerias do Memorial da América Latina: Batman em sucesso de público

(Fotos: Divulgação)

Com as recentes aquisições de Zoë Kravitz e Paul Dano, para interpretarem Catwoman e o Enigma (The Riddler), The Batman, de Matt Reeves, com Robert Pattinson pronto para viver Bruce Wayne, teve os seus motores aquecidos para arrancar, em filmagens, de olho numa vaga no circuito comercial de 2021, numa aposta da DC/Warner animada com a enorme popularidade que as comemorações dos 80 anos do herói de Gotham alcançaram.

O sucesso do Joker, cuja bilheteira até ao momento arranha os 850 milhões de dólares, aumentou mais a mítica em torno do vigilante criado por Bob Kane e Bill Finger. Alvo de retrospetiva dos seus sucessos nas BDs e nos ecrãs no Festival de Angoulême, na França, em janeiro, o Homem-Morcego hoje é êxito no Memorial da América Latina, em São Paulo, numa exposição de estátuas, bonecos e toda a sorte de memorabilia ligado ao mítico personagem. O evento atrai turistas de múltiplas línguas a São Paulo, de terça a sexta, das 12 às 21h, e sábados e domingos, das 10 às 21h. Fica em cartaz até 15 de dezembro deste ano: 50 mil pessoas já prestigiaram o Batman até agora. Na entrevista a seguir, o colecionador Marcio Escoteiro, que emprestou as suas peças para a expo paulista, fala sobre o simbolismo em torno de Wayne, em tempos em que Joaquin Phoenix incendia os cinemas.

Como a exposição vem reeducando o olhar do público brasileiro sobre o herói de Gotham? Como foi delineada a seleção dos objetos expostos e o que existe lá de mais raro e afetivo para você?

A exposição é uma total visão do universo do Batman, onde você visita várias épocas, locais e personagens em 12 salas interativas. O nosso público vai de 8 meses a 80 anos e mais, e até comporta pessoas com deficiência locomotora, auditiva e visual. Eu e o Ivan Costa, que é o curador do evento, já estamos a falar nisso desde o começo do ano passado, quando ele veio ver peças a serem expostas na exposição Quadrinhos no MIS, da qual também foi o curador. Eu e Ivan somos amigos há mais de dez anos. Ele começou a separar tanta coisa, que mal ia dar no Louvre para tudo aquilo. No total, são mais de 550 peças e eu contribui com mais de metade, umas 270 peças. Artigo raro? Rara é a primeira memorabilia vendida de Batman em 1944. Depois disso só com a batmania de 1966. O item mais afetivo eu posso dizer que é meu boneco da Gulliver do desenho “Superamigos” de 25 cm do Batman, que está completo e é meu de infância. Quero até ser enterrado com ele. O item mais antigo é a Detective Comics nº 34, de dezembro de 1939, que traz a oitava aparição de Batman. Nem tinha Robin.

Que heroísmo o Batman simboliza nos tempos de hoje?

O Batman simboliza para mim, principalmente, superação e renovação, pois ele faz isso não por ele, mas pelo povo de Gotham e do mundo.

Como começou a sua relação com a Batmania e como ela mudou com os anos?

Sou louco por morcegos. Eu sempre li banda desenhada: comecei com a Disney e já tive o meu preferido, o Morcego Vermelho. Desenhava o tempo todo e já recebia esse apelido no curso de alfabetização, mesmo sem saber ler direito. Com seis anos, eu fui apresentado ao Batman do Neal Adams por causa da Editora EBAL (um marco brasileiro na publicação de BDs) e, por osmose, passei a comprar e ler. Em 1980, eu conheci as revistas importadas e passei a ler com o dicionário do lado, o que me ajudou com o Inglês. Aí veio a Gulliver (empresa de brinquedos), com os seus veículos e bonecos, que eu brincava até quebrar. Quando me mudei para outro estado, muitas revistas e brinquedos foram dados, mas muita coisa eu levei e outras deixei guardadas em caixas na minha casa no Rio de Janeiro. Outro divisor de águas foi o Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller, que fez subir o nível da minha coleção, e, aí, em 1989, vieram os 50 anos do Batman. Saiu o filme do Tim Burton e, partir daí, passei a ser colecionador profissional e historiador, pois tenho a maior biblioteca de livros sobre a personagem em suas mais variadas formas de visão. Minha relação com a coleção mudou quando passei a ser um curador dela, escolhendo peças importantes para preenchê-la e saber o que é melhor. Não se tem que tudo. Tem que ter o melhor.

O que o filme Joker, de Todd Phillips, muda na mítica do Batman e na celebração dos 80 anos?

Esse Joker muda muito a mítica do Batman, pois faz uma radiografia da criação do Palhaço do Crime de Gotham. O caos vem até ele. Ele não faz o caos. As risadas do Joaquin Phoenix, que denotam tristeza e dor, são apavorantes. Não ri em nenhum momento. Para falar a verdade tive medo. O medo que tenho até hoje em ver filmes do Drácula da Hammer, com Christopher Lee. E olha que eu adoro vampiros. No Joker foi mostrando uma personagem que cresceu com raiva, não com comédia. “A comédia é você“, seria uma coisa que ele poderia dizer. Para a celebração dos 80 anos, colocar o antagonista como protagonista foi demais. Aplaudo a Warner pela iniciativa e deu certo, muito certo.

 

Link curto do artigo: https://c7nema.net/7ye1

Últimas