Casey Kauffman confirma novo projeto com produção de Nanni Moretti

(Fotos: Divulgação)

Prolíficos a encontrar conexões no seu cinema a partir da cidade portuária de Torre Annunziata, ao sul de Nápoles, e utilizando pessoas reais para desempenharem os seus próprios papéis, Alessandro Cassigoli e Casey Kauffman usaram como peça central no docudrama “Californie” (2021) uma marroquina-italiana que tinham descoberto no seu documentário sobre boxe feminino “Butterfly” (2018). Para o seu mais recente filme,“Vittoria”, a dupla foi buscar uma cabeleireira de “Californie” (2021). “Este jogo, de quase matrioskas, acabou”, disse Casey Kauffman ao C7nema, durante o Festival do Cairo, onde o drama de tom realista discute o prémio máximo na Competição Oficial. “O nosso próximo filme não parte de nenhuma personagem que vimos em “Vittoria”, mas segue uma história que ouvimos falar em Torre Annunziata, de alguém que lá vive. Mas a maior parte do filme não acontece lá, mas entre França e Espanha. Eu e o Alessandro nunca tivemos um plano para que cada um dos nossos filmes estivesse conectado de alguma maneira. Somos amigos e aceitamos fazer um filme juntos. E um levou-nos ao outro e ao outro. Tudo o que fizemos sentiu-se sempre orgânico”.

Admitindo que o projeto ainda está na fase de escrita, Casey Kauffman confirmou que, tal como em “Vittoria”, Nanni Moretti volta a ser produtor, estando agora a decidir-se o quão “grande” será a produção: “Estamos a escrever, a fazer pesquisa e a tomar decisões. O ‘Vittoria’ foi feito com 250 mil euros. É muito pouco. A equipa era apenas de 12 pessoas e eu e o Alessandro multiplicamo-nos em tarefas. Para este novo projeto vamos ter de perceber o quão maior queremos a produção. Não queremos algo muito grande, pois perdemos flexibilidade e espontaneidade, mas desta vez queremos ganhar algum dinheiro com ele (risos).

Vittoria

Em “Vittoria” acompanhamos de perto Marilena ‘Jasmine’ Amato, uma cabeleireira casada e com três filhos homens que entra numa espiral obstinada de adotar uma menina, seja em Roma ou na Bielorrússia, convencendo o marido carpinteiro, e os seus filhos, alguns já bem crescidos, dessa intenção. “Originalmente pensamos numa adoção na Ucrânia, mas depois achámos que isso iria distrair do principal, pois este casal ia adotar numa zona de guerra. Escolhemos a Biolorrúsia, mas era muito complicado conseguir os vistos. Por isso, filmamos os exteriores lá, e os interiores na zona de Nápoles, numa antiga base da Nato. Usámos não-atores bielorrussos e fiz inúmeros ensaios com eles. Com exceção das responsáveis pelo orfanato, que na vida real não o são, todas as outras personagens que vemos fazem os seus próprios papeis. A psiquiatra, a trabalhadora de ação social, o cliente. Todos são isso mesmo nas suas vidas”.

O Festival do Cairo encerra no dia 22 de novembro.

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