Rhydian Vaughan, o misterioso homem de Hotel Império
Nascido em Gales, mas cidadão de Taiwan, Rhydian Vaughan começou no cinema em 2004 com a curta-metragem Lamb. Depois disso, participou em diversos filmes locais, ganhando alguma notoriedade após participar no remake chinês de O Casamento do Meu Melhor Amigo. Presente no novo projeto de Ivo M. Ferreira, no papel de um misterioso homem com algum tipo de ligação ao Hotel Império, Vaughan passou por Lisboa e falou-nos da sua experiência nesta produção. E falou também dos seus novos projetos, onde se inclui a participação no terceiro filme da saga Iron Sky.
Bem-vindo a Portugal, é a sua primeira vez por cá?
Sim, é a minha primeira vez e estava com alguma ansiedade. Estas foram umas filmagens muito familiares, e todos – como a Susana Gomes, a diretora de fotografia- estavam sempre a dizer que eu tinha de vir a Portugal. Finalmente estou cá.
E como entrou neste projeto, como foi o processo de casting?
Foi através de um amigo em comum [com Ivo Ferreira] de Hong Kong. Eu sou de Taiwan, o Ivo estava em Macau. Sabia que ele tinha este projeto já há algum tempo para filmar. A vida às vezes é estranha e leva-te a alguns sítios estranhos, mas esta personagem é praticamente igual aquela que li no guião pela primeira vez.
O Ivo pediu-lhe alguma coisa em específico para desempenhar este papel?
Emocionalmente, não. Tudo era muito claro. O que tive de trabalhar foi em conhecer Macau e a sua relação com Portugal. Foi fascinante a descoberta de como as coisas eram antes de 1999 e como são agora. São inimagináveis as mudanças, mas o Ivo conseguiu encontrar um bom balanço para apresentar. Ainda estou a aprender sobre a cultura portuguesa. Sinto que a cultura chinesa está mais interessada nas coisas que não se veem, e cada vez mais me sinto próximo da cultura portuguesa. (…) Há tantas conversas que se têm sem proferirmos uma palavra e creio que é isso que este filme faz. Veja-se o negócio do imobiliário, desde a saída de Portugal há 20 anos, deve ter crescido em Macau umas mil vezes.
Sim, a pressão imobiliária acontece em todo o lado. Por exemplo, em Lisboa estamos a viver isso, com os residentes dos bairros históricos a serem pressionados pelo mercado a venderem as suas casas a grandes grupos para a construção de alojamentos locais. Ou seja, apesar de ser uma história muito particular em Macau, é também um tema universal.
Sem dúvida, e talvez por isso me tenha identificado tanto com a história. Macau é um local com um grande passado, mas é muito moderno e está completamente preparado para o futuro. Mas há pessoas pelo meio. A meu ver, as mentes, os corações e as emoções não mudam com tanta rapidez como as construções dos prédios, etc. É muito interessante ver – neste filme – as reacções das pessoas a esse crescimento. Acho que o Ivo tratou do assunto através de um ângulo muito interessante.
Como foi trabalhar com o Ivo, aprendeu algo com ele?
Sim, bastante. Foi muito seguro e confortável trabalhar com ele. Cada take estava bem, mas há coisas que naturalmente te surgem e que queres explorar quando estás com o Ivo. Sobre ti mesmo, sobre a personagem, etc. O trabalho foi um bocado como uma brincadeira de crianças. O filme é todo muito melancólico e triste, mas as filmagens foram muito alegres e divertidas.
E ficou satisfeito com o filme?
Sim, há muitas coisas para dizer sobre ele. Quando estás num filme assim, há tantas coisas que não consegues transcrever em palavras. Dois anos passaram desde que ele está pronto e finalmente o filme está aqui. É muito, muito poético.
E tem outros projetos onde está a trabalhar atualmente ou prestes a estrear?
Sim, acabei de filmar uma série para a Web na China e tenho também algo agendado para o 2º semestre do ano. Tenho também um filme a estrear, com um cineasta finlandês, o Timo Vuorensola.
O Iron Sky 3?
Sim, eu estou no filme. Eles filmaram-no na China. O Andy Garcia está nele, o Duan Yihong, que é um ator chinês, também.
Está a tornar-se bastante internacional. É um objetivo transitar, por exemplo, para Hollywood?
Já lá estive algumas vezes, mas acho que muito daquilo que me apela ainda está na Ásia. Mas toda esta experiência internacional é ótima, pois posso levá-la para onde estiver a trabalhar.
E planeia trabalhar no cinema de autor e no mais mainstream?
Sim, quero fazer de tudo. Não é todos dias que um ator consegue estar num filme português de autor. Para mim, tudo isto foi uma dádiva.

