Finitude, tema autoral de Petrus Cariry

(Fotos: Divulgação)

Há dois anos, quando conquistou dez prémios no Fest Aruanda, na Paraíba, com “A Praia do Fim do Mundo”, o realizador Petrus Cariry, egresso do Ceará (estado do nordeste do Brasil), explicou ao C7nema o quanto valorizava o Tempo como matriz dramatúrgica dos seus filmes e como encontrou espaço para conseguir fazer lançamentos de pequeno orçamento. “Sigo lançando essas garrafas ao mar, esperando que alguém possa achar e decifrar”, disse ele, à ocasião, no apogeu de uma produção prolífica. O novo passo da sua caminhada tem lançamento marcado na Mostra de São Paulo: “Mais Pesado É o Céu” terá projeções no evento no próximo dia 27, no Espaço Itaú Augusta, e no dia 30, no mesmo local. O filme rendeu-lhe o troféu Kikito de Melhor Realizaação em Gramado, em agosto.
Esforço-me para capturar a autenticidade, os sonhos, as angústias e a beleza da vida quotidiana, sejam nas áreas urbanas ou rurais do Ceará”, disse o cineasta ao C7nema, em meio a uma retrospectiva da sua obra na Caixa Cultural do Rio de Janeiro. 

Duas décadas de serviços prestados ao cinema de invenção, iniciadas com a curta “A Ordem dos Penitentes” (2002), fazem dele um talento em evolução no seu país, reconhecido fora da sua pátria em festivais como os de Havana, de Trieste e de Kerala. O seu filme mais recente volta ao tema da maternidade, marca autoral do realizador.

Estrelado por Matheus Nachtergaele, “Mais Pesado É O Céu” rendeu ao cineasta cearense o Kikito de Melhor Realização no Festival de Gramado

Mais Pesado É Céu” fala de uma reinvenção afetiva. Após acolher uma criança abandonada, Teresa conhece Antônio, e os dois iniciam uma jornada pelas estradas. O passado em comum, para eles, são as memórias de uma cidade submersa no fundo de uma represa. A vida é sonho, mas o futuro é a incerteza. Matheus Nachtergaele é um dos destaques do elenco de Petrus.

No meu cinema, a finitude representa a realidade crua da vida e da morte, que é uma parte inevitável da existência humana em qualquer lugar do mundo”, explica o cineasta. “No Nordeste brasileiro, essa finitude muitas vezes se apresenta de forma mais acentuada pelas condições sociais e económicas desafiantes que a região enfrenta”.

A Mostra de São Paulo segue até o dia 1 de novembro.

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