Quatro décadas depois de um fracasso comercial se ter transformado num dos maiores filmes de culto da cultura pop, Highlander regressa ao centro das atenções. Na próxima quarta-feira, antes do início da sua programação oficial, a Comic-Con de San Diego vai homenagear os 40 anos do clássico de Russell Mulcahy com uma sessão comemorativa no Marriott Marquis San Diego Marina. A projeção revisita um dos títulos mais influentes do cinema fantástico da década de 1980, responsável pela criação de uma saga que atravessou gerações e consolidou um dos lemas mais conhecidos da ficção: “There can be only one”.
Lançado em 1986, Highlander acompanha Connor MacLeod, um guerreiro escocês imortal interpretado por Christopher Lambert, condenado a atravessar séculos enfrentando outros seres igualmente imortais até que reste apenas um. Com Sean Connery no papel do mentor Juan Sánchez-Villalobos Ramírez, Clancy Brown como o memorável vilão Kurgan e uma banda sonora dominada pelos Queen — que compuseram temas como “Princes of the Universe”, “Who Wants to Live Forever” e “A Kind of Magic” —, o filme obteve pouco mais de 12 milhões de dólares de receita nas salas de cinema, valor insuficiente para recuperar o orçamento. O êxito chegaria mais tarde, graças ao mercado de vídeo doméstico, transformando-o numa referência incontornável da fantasia cinematográfica.
O sucesso tardio abriu caminho a uma saga composta por cinco longas-metragens: Highlander (1986), Highlander II: The Quickening (1991), Highlander III: The Sorcerer (1994), Highlander: Endgame (2000) e Highlander: The Source (2007). Embora a receção crítica tenha oscilado bastante entre as sequelas, o universo criado por Gregory Widen permaneceu vivo graças à fidelidade dos fãs e à expansão da mitologia dos imortais.
O fenómeno ganhou novo fôlego na televisão com Highlander: The Series, exibida entre 1992 e 1998, protagonizada por Adrian Paul como Duncan MacLeod, parente de Connor. Ao longo de seis temporadas e 119 episódios, a série aprofundou o universo dos imortais, conquistando uma enorme popularidade internacional e tornando-se, para muitos admiradores, a continuação mais consistente da narrativa iniciada no cinema. O tema de abertura voltou a ser “Princes of the Universe”, reforçando a ligação musical dos Queen ao imaginário da saga.
Quarenta anos depois da estreia, o universo de Highlander prepara-se para regressar aos cinemas. A Lionsgate está a desenvolver uma nova adaptação dirigida por Chad Stahelski, realizador da saga John Wick, com Henry Cavill confirmado como protagonista. O projeto promete reinventar a mitologia dos imortais para uma nova geração, preservando os elementos centrais da obra original — os duelos de espada, a dimensão filosófica da imortalidade e a eterna disputa pelo Prémio —, agora com uma escala visual contemporânea. A homenagem promovida pela Comic-Con confirma que Highlander permanece um dos raros casos em que um insucesso inicial acabou por se transformar num verdadeiro clássico da cultura pop.

