Naomi Watts distinguida com Prémio Donostia no Festival de San Sebastián

A 74.ª edição do Festival de San Sebastián, marcada para 18 a 26 de setembro, vai distinguir Naomi Watts com o Prémio Donostia, reconhecimento atribuído à atriz e produtora britânica por uma carreira que atravessa o cinema de autor, Hollywood e a televisão. A homenagem terá lugar no dia 19, numa gala no Kursaal, seguida da projeção de The Housewife, primeira longa-metragem do canadiano Ben Shirinian. A organização confirmou ainda que o realizador alemão Werner Herzog será igualmente distinguido com um Prémio Donostia, entregue na cerimónia de abertura. A foto acima, da autoria de Iñaki Pardo, recupera a primeira passagem da estrela pelo evento basco, em 2009.

Aos 57 anos, Watts chega à distinção basca com duas nomeações ao Óscar de Melhor Atriz: a primeira por 21 Grams (2003), de Alejandro González Iñárritu, e a segunda por The Impossible (2012), de J.A. Bayona. Pelo primeiro, foi ainda candidata aos prémios do SAG e da BAFTA; pelo segundo, somou nomeações para o Globo de Ouro, SAG e Critics Choice, além de receber o Desert Palm Achievement Actress Award do Festival de Palm Springs. A sua carreira inclui ainda uma nomeação ao SAG de Melhor Atriz Secundária por St. Vincent e, mais recentemente, uma candidatura ao Globo de Ouro pela minissérie Feud: Capote vs. The Swans.

Foi, contudo, Mulholland Drive (2001), de David Lynch, que transformou Watts numa presença incontornável do cinema contemporâneo. A sua composição de Betty Elms/Diane Selwyn tornou-se um dos desempenhos emblemáticos da filmografia do cineasta norte-americano e abriu caminho a colaborações com nomes como Peter Jackson, David Cronenberg, Clint Eastwood, Michael Haneke, Noah Baumbach, Audrey Diwan e Alejandro González Iñárritu. Ao longo desse percurso, passou de produções independentes a projetos de grande orçamento como King Kong, sem abandonar propostas autorais como Eastern Promises, Funny Games e While We’re Young.

San Sebastián não é território desconhecido para a atriz. Em 2009, Watts esteve no festival para apresentar Mother and Child, de Rodrigo García, escolhido para encerrar a competição oficial, fora de concurso. Dezassete anos depois, regressa ao certame com The Housewife, produção norte-americana na qual contracena com Tye Sheridan, Luke Evans, Michael Imperioli, Lena Olin e Debi Mazar.

A atriz em “The Housewife”

Ambientado em Nova Iorque, em 1964, The Housewife parte de uma história real e acompanha um jovem jornalista que descobre que um alegado antigo oficial nazi poderá viver clandestinamente no Queens. A investigação sofre uma inesperada transformação quando ele se aproxima da mulher do principal suspeito, colocando em causa os limites da sua própria integridade profissional. O filme marca a estreia de Ben Shirinian nas longas-metragens, depois das curtas Lost in Motion (2012), Lost in Motion 2 (2013) e Josef et Aimée (2015).

Criado em 1986, o Prémio Donostia é a principal distinção honorífica do Festival de San Sebastián e destina-se a reconhecer personalidades cuja obra tenha deixado uma marca determinante na história do cinema. Naomi Watts passa assim a integrar uma galeria que, nos últimos anos, distinguiu nomes como Pedro Almodóvar, Cate Blanchett, Hayao Miyazaki, David Cronenberg, Juliette Binoche, Marion Cotillard e Viggo Mortensen.

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