Com estreia comercial no Brasil agendada para 6 de novembro, O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, foi a produção escolhida pela Academia Brasileira de Cinema para representar oficialmente o país na corrida por uma vaga na categoria de Melhor Filme Internacional nos Óscares de 2026. O anúncio foi feito nesta segunda-feira. Outras cinco longas-metragens estavam no páreo: Baby, de Marcelo Caetano; Kasa Branca, de Luciano Vidigal; Manas, de Marianna Brennand; O Último Azul, de Gabriel Mascaro; e Oeste Outra Vez, de Erico Rassi.
A 98.ª edição dos Óscares será realizada a 15 de março de 2026, no Dolby Theatre, na Califórnia. A 16 de dezembro será divulgada uma primeira lista com 15 finalistas de algumas categorias, incluindo a de Melhor Filme Internacional, da qual sairão os cinco nomeados. O anúncio oficial das nomeações está marcado para 22 de janeiro de 2026.
Ambientado em 1977, O Agente Secreto deu os primeiros passos em Cannes, onde conquistou quatro prémios. Concorrendo à Palma de Ouro, recebeu a distinção de Melhor Realização (para Kleber Mendonça Filho) e o de Melhor Ator, atribuído ao baiano Wagner Moura pelo júri oficial presidido por Juliette Binoche. Foi ainda distinguido na Croisette com o Prémio da Crítica, concedido pela Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica (FIPRESCI), e com um galardão da Associação de Cinemas de Arte e Ensaio.
O que vemos ao longo das suas duas horas e 38 minutos é a luta pela vida de um investigador e professor universitário (papel de Wagner Moura), perseguido por matadores no Brasil do final da década de 1970, numa ditadura conivente com abusos de empresários e agentes da polícia. Essa peleja contra um Estado corrupto acaba de passar pelo TIFF – Festival de Toronto, no Canadá, evento que costuma abrir as portas da Academia a potenciais concorrentes. Eleito Melhor Filme em Lima, no Peru, O Agente Secreto segue agora do território canadiano para a mostra Perlak de San Sebastián (de 19 a 27 de setembro), neste sábado, e para o BFI London Film Festival (de 8 a 19 de outubro). Exibições em Biarritz, Nova Iorque e Zurique já estão também no radar.
“Nós queremos levar O Agente Secreto o mais longe que conseguirmos”, declarou Ryan Werner, presidente de cinema global da Neon, empresa responsável pela distribuição do filme nos Estados Unidos, em comunicado à imprensa.
Até à manhã de segunda-feira, 49 outros países já tinham designado os seus candidatos à Academia de Hollywood, incluindo Portugal, que optou por Banzo, de Margarida Cardoso. Entre essa seleção já registada pela instituição hollywoodiana, três produções destacam-se pela forte repercussão que vêm causando em festivais internacionais: o norueguês Sentimental Value, de Joachim Trier; o tunisino The Voice of Hind Rajab, de Kaouther Ben Hania; e o sul-coreano No Other Choice, de Park Chan-wook.

