Morreu aos 91 anos Monte Hellman, responsável por filmes como “O Furacão“, “A Estrada Não Tem Fim” e “Duelo no Deserto“. O cineasta estava internado no Eisenhower Medical Center em Palm Desert, Califórnia, após uma queda na sua casa a 19 de abril.
Nasceu por acaso a 12 de julho de 1929, na cidade de Nova Iorque, já que os seus pais estavam apenas a visitar a cidade. Cresceu em Los Angeles e estudou arte dramáticas na Universidade de Stanford – com uma bolsa da NBC – e cinema na UCLA. Depois de alguns anos nos teatros de verão, Hellman conheceuo lendário produtor de filmes “B” Roger Corman no final dos anos 1950, tendo este ajudado o falecido a financiar a produção de Hellman de “À Espera de Godot“, que pela primeira vez foi encenada em Los Angeles.
Passou para o cinema com “Beast from Haunted Cave” (1959) e filmou algumas partes de “O Terror“, projeto de Corman (1963) que contou com a colaboração na realização de nomes como Francis Ford Coppola e Jack Nicholson.
Foi com este último que iniciou uma colaboração ativa em diversos projetos: dois filmes de rajada filmados nas Filipinas – “Back Door to Hell” (1964) e “Flight to Fury” (1964) – e depois dois westerns existenciais filmados no Utah em condições semelhantes: “Duelo no Deserto” (1966) e “O Furacão” (1966).

Com Corman trabalharia ainda em “The Wild Angels” (1966) e “Target: Harry” (1969), como montador.
Na década de 1970 filma “A Estrada Não Tem Fim“, para muitos considerado o seu melhor filme, “Cockfighter” (1974) e o “Cavaleiro da Noite” (1978), a meias com Tony Brandt. Depois de terminar os trabalhos de “O Expresso Avalanche” (1979), após a morte do realizador Mark Robson, Hellman executou “Iguana” (1988) e “Noite de Silêncio, Noite Sangrenta – Parte 3” (1989). Sobre este chegou a dizer: “Pessoalmente, acho que é o meu melhor trabalho. Quer dizer, não acho que seja o meu melhor filme … na verdade, é provavelmente o meu pior, para ser honesto. Mas Arthur Gorson pediu-me para embarcar em março de 89 e tínhamos o nosso corte final pronto em junho do mesmo ano. Mesmo que o filme não se segure muito quando o assisto agora, não posso deixar de me orgulhar da rapidez com que o montamos“.
Grande inspiração para Quentin Tarantino, Hellman foi produtor executivo de “Cães Danados” (1992), mas a sua carreira como cineasta eclipsou-se. Regressaria em 2006 com “Stanley’s Girlfriend” (2006), segmento da antologia de terror “Trapped Ashes” (2006), e voltaria à ribalta com “Road to Nowhere – Sem Destino” (2010), Leão de Ouro Especial em Veneza, prémio que recebeu das mãos do presidente do júri, Quentin Tarantino.
Três anos depois foi um dos cineastas convidados por Veneza para executar um filme de 90 segundos para a antologia “Venice 70: Future Reloaded” (2013), que abriu o 70º Festival de Cinema de Veneza em 2013.
Chegaram notícias em 2014 que iria trabalhar num novo filme com a produção de Paulo Branco, que lhe dedicou uma homenagem no Leffest em 2012. Com o nome “Love or Die“, o projeto nunca avançou, mas Branco descrevia-o na época como um thriller romântico na linha de “O Céu Pode Esperar“. Na fita seguiríamos a história de um homem e uma mulher que não se conhecem durante a vida, mas que depois de mortos regressam à Terra para viver um intenso amor.
Apesar de ser considerado um cineasta de culto, o realizador nunca gostou muito desse termo, como explicou numa entrevista à revista brasileira Interlúdio, em 2012: “Nunca me deu muito prazer ser um cineasta de culto. Todos os artistas querem algo simples, que é comunicar-se, e com o maior número de pessoas possível. Uma pessoa que se torna de culto é apenas alguém que fracassou nesse sentido“.

