Conhecida e respeitada em festivais do mundo todo pelo seu trabalho na preservação e na divulgação da cultura audiovisual da América Latina, em especial no seu país de origem – o Brasil -, a Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro (ACCRJ) votou este sábado a lista dos melhores filmes exibidos na sua pátria de 2019 a 2020, de dezembro a dezembro, dando o primeiro lugar do pódio à francesa Céline Sciamma e o seu “Retrato de Uma Rapariga em Chamas”.
Lançado há cerca de dois anos em Cannes, na disputa pela Palma de Ouro, “Portrait de la jeune fille en feu” (“Retrato de Uma Jovem Em Chamas” em solo brasileiro) deixou a Croisette com o prémio de melhor argumento e com a Queer Palm (a láurea LGBTQ+ cannoise). As duas láureas foram reconhecimentos obrigatórios diante da excelência de dramaturgia deste ensaio sobre a sororidade. Nele, uma pintora do século XVIII (Noémie Merlant) tem uma tarefa de retratar uma jovem nobre (Adèle Haenel) forçada pela mãe a um casamento não desejado. Da pintura vai brotar uma paixão cúmplice. E libertadora. Há um mês, Céline voltou a atrair holofotes ao disputar o Urso de Ouro com “Petite Maman”, na Berlinale.
“Céline é uma artista militante”, diz Ana Rodrigues, a presidente da associação carioca. “Ela foi uma das fundadoras do movimento “5050 by 2020”, que luta pela igualdade de género na indústria cinematográfica. Os filmes dela estão atentos à temática da descoberta sexual feminina. Em ‘Retrato de Uma Jovem em Chamas’ ela está no topo da excelência do cinema de autor que pratica, com domínio total sobre todas as engrenagens. A ACCRJ tem a honra de consagrar esse filme na sua seleção, sendo uma tradição nossa prestigiar o cinema autoral”.
Outras nove longas-metragens foram selecionadas por Ana e os restantes associados:
As outras nove longas-metragens que chegaram à fase final da votação são:
– “1917” (Idem – 2019, EUA), de Sam Mendes;
– “Babenco: Alguém Tem que Ouvir o Coração e Dizer Parou” (2020, Brasil), de Bárbara Paz;
– “Da 5 Bloods – Irmãos de Armas” (Da 5 Bloods – 2020, EUA), de Spike Lee;
– “Diamante Bruto” (Uncut Gems – 2019, EUA), de Benny Safdie e Josh Safdie;
– “O Farol” (The Lighthouse – 2019, Canadá), de Robert Eggers;
– “O Homem Invisível” (The Invisible Man – 2020, Canadá), de Leigh Whannell;
– “O Som do Silêncio” (Sound of Metal – 2019, EUA), de Darius Marder;
– “Pacarrete” (2020, Brasil), de Allan Deberton;
– “Soul” (Soul – 2020, EUA), de Pete Docter e Kemp Powers.
Numa tradição de valorizar talentos que nos deixaram, a ACCRJ incluiu no seu rol de homenageados postumamente: o cineasta José Mojica Marins, o atores Flávio Migliaccio, Kirk Douglas e Sean Connery, e os compositores Aldir Blanc e Ennio Morricone. Uma das suas mais badaladas honrarias – batizada “Melhor Iniciativa Cinematográfica” – será concedida ao produtor e cineasta Cavi Borges, que continua produzindo em meio à pandemia, inclusivamente inaugurando o Espaço Cultural Cavídeo, nas Casas Casadas, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio de Janeiro. Além disso, Cavi tem realizado ações sociais para ajudar aos mais afetados pela crise oriunda da covid-19.

