Distinguido em Espanha, Miguel Gomes quer filmar novo projeto em 2020

(Fotos: Divulgação)

O realizador português Miguel Gomes teve direito a uma retrospetiva e foi distinguido esta semana no 34.º Festival Internacional de Cinema de Valência – Cinema Jove com o prémio honorífico “Lua de Valência”.


Foto por Daniel-Garcia Sala – Cinema Jove

Relata o El Pais, que esta sexta-feira o cineasta conhecido por filmes com Tabu e a trilogia Mil e Uma Noites disse à imprensa que espera começar as filmagens do seu novo filme Selvajara, baseado no romance Os Sertões, de Euclides da Cunha, no próximo ano.

Há guerras, há balas de canhão, há centenas de cavalos e é um pouco caro. É um orçamento maior do que o dos meus filmes anteriores. O processo de financiamento é um pouco longo, mas espero filmar no ano que vem. Quero fazer este filme“, disse Gomes, acrescentando que ideia de adaptar esta obra é “uma loucura“.

Selvajara é uma crónica da guerra que ocorreu em 1897 entre os habitantes da vila de Canudos e a armada da jovem república brasileira, algo que Mario Vargas Llosa também captou no seu romance A Guerra do Fim do Mundo. Há meses atrás foi anunciado na imprensa portuguesa que este projecto terá semelhanças com a sua anterior trilogia, As Mil e uma Noites, ou seja, será composto por três partes, respeitando assim a própria estrutura do livro que é dividido pelos capítulos A Terra, O Homem e A Luta.


Foto por Daniel-Garcia Sala – Cinema Jove

O cineasta, que passou pela crítica de cinema entre 1996 e 2000, admitiu que essa incursão foi um “acidente” e o resultado de na época ninguém o querer contratar para as equipas de filmagens: “Era muito mau“, admite. No arranque do novo século executou uma série de curtas-metragens que fizeram carreira em vários festivais de cinema, instigando-o a passar para as longas em 2004, com A cara que mereces.

Sobre o cinema português atual, Gomes afirmou que existe “um pequeno público para filmes mais pessoais” e “uma tentativa frustrada de fazer um cinema comercial“, pois não existe mercado como por exemplo em Espanha: “A maioria dos portugueses não se preocupa com o cinema, um grande sucesso é quando você consegue 100 mil espectadores“.

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