Doris Day, uma das estrelas mais populares de Hollywood nos anos 50 e 60, morreu, de acordo com a BBC, devido a complicações com uma pneumonia. Tinha 97 anos.

Uma das atrizes mais prolíficas da América, Doris Day nasceu a 3 de abril de 1922, em Cincinnati, Ohio, com o nome Doris Mary Ann Kappelhoff. Neta de imigrantes alemães, Doris desenvolveu o gosto pela dança muito cedo, criando ao quatorze anos uma performance com Jerry Doherty, com a qual ganharam um concurso de talentos. Com o sonho de se profissionalizarem, Day e Jerry fizeram uma breve viagem a Hollywood para verem as suas hipóteses de carreira, mas quando decidiram efetivamente mudar-se para a terra de todos os sonhos, Day sofreu um trágico acidente, encerrando as possibilidades de ter uma carreira como dançarina.
Este duro revés levou-a a ter aulas de canto, encontrando uma nova vocação e começando, aos 17 anos, a cantar numa tournée do cantor jazz Les Brown. Foi aí que conheceu o trombonista Al Jorden, com quem se casou em 1941 e divorciou dois anos depois. Em 1946, e já com um filho, casou-se com George Weidler, mas essa união durou menos de um ano. Foi no ano seguinte que o seu agente convenceu-a em fazer um teste na Warner Bros., estúdio com o qual viria a assinar um contrato e a estrear-se com Romance no Alto Mar (1948), de Michael Curtiz. Seguiram-se novas colaborações com Curtiz, como Meus Sonhos Pertencem-te (1949), Duas Mulheres, Dois Destinos (1950) e O Amor É Coisa de Dois (1951).

Meus Sonhos Pertencem-me
O seu sucesso, na música e no cinema, esteve também muito ligado a ser uma das performers preferidas dos militares norte-americanos no pós II Guerra Mundial e durante a Guerra da Coreia. O seu primeiro grande sucesso musical, Sentimental Journey, lançado no início de 1945, transformou-se num hino à desmobilização e regresso das tropas americanas a casa.
Na década de cinquenta, ela particiou um dezenas de obras cinematográficas, destacando-se trabalhos com David Butler, em particular o grande sucesso que foi Diabruras de Jane, no qual assume o papel da Calamity Jane, a famosa pistoleira do velho oeste, e que mais tarde definiria em entrevista como o seu papel preferido no cinema. Filmou igualmente com Roy Del Ruth (O Teu Amor e uma Cabana, 1951; Os Cadetes Divertem-se, 1950), Charles Vidor (Ama-me ou Esquece-me, 1955), Alfred Hitchcock (O Homem Que Sabia Demais, 1956), e Gene Kelly (O Túnel do Amor, 1958), entre outros.
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Em 1960 teve um grande sucesso comercial com Por Favor Não Comam os Malmequeres e foi nomeada a melhor atriz por Conversa de travesseiro. Nos anos que se seguiram, baixou bastante a sua participação na 7ª arte em comparação à década anterior, tendo como último filme a comédia dramática Antes que cases (1968). Foi também nesse ano que iniciou um famoso programa de televisão, The Doris Day Show, que estaria no ar até 1973, e veria o seu esposo, Martin Melcher, falecer. No momento em que Melcher morreu, Day descobriu que tinha milhões de dólares em dívidas e que o marido havia desperdiçado praticamente todos os seus lucros e poupanças. Ainda assim, ela acabou “premiada” com 22 milhões de dólares pelos tribunais num caso contra um homem a quem Melcher confiou o “seu dinheiro” para investir.

Já longe do cinema e da TV, Day casou-se pela quarta vez em 1976 e continuou a apostar na música, lançando quase três dezenas de álbuns ao longo do seu percurso, o último dos quais em 2011: My Heart, que consistia em várias canções inéditas – gravadas em 1985 – e versões das músicas You are so beautiful, de Joe Cocker, e Disney Girls dos Beach Boys: “Tive que cantar algumas músicas modernas porque já tinha esgotado o repertório das antigas“, explicou Day à BBC, acrescentando que fez questão de incluir no álbum o tema My buddy – que cantou no filme Meus Sonhos Pertencem-te (1949) – em homenagem ao filho falecido em 2004.
Divorciada em 1980, Day dedicou-se em grande escala à proteção animal, fundando em 1978 a Doris Day Animal League, em Carmel, na Califórnia, liga que defende os cuidados adequados com os animais domésticos.

