Novo projeto de Haifaa al-Mansour foca-se na relação entre Percy e Mary Shelley

(Fotos: Divulgação)

A realizadora Haifaa al-Mansour, que após O Sonho de Wadjda (estreou esta semana em Portugal) ficou marcada como a primeira realizadora da Arábia Saudita, vai levar aos cinemas A Storm in the Stars, um projeto com o argumento de Emma Jensen e que marca a primeira obra em Hollywood da cineasta. 

A Storm in the Stars remete-nos à relação impetuosa entre o poeta Percy Shelley e a jovem dotada Mary Wollstonecraft Godwin, filha de William Godwin (precursor do anarquismo) e de Mary Wollstonecraft (escritora que influenciou o feminismo moderno, especialmente depois de ter publicado em 1792 A Vindication of the Rights of Woman).

Em 1814, e com apenas 17 anos, Mary Wollstonecraft Godwin inicia um relacionamento amoroso com um dos seguidores políticos do seu pai, o na época casado Percy Bysshe Shelley. Junto com a irmã adotiva de Mary, Claire Clairmont, partem para a França e viajam pela Europa, mas regressam eventualmente a Inglaterra, onde Mary fica grávida. Nos anos que se seguem, ela e Percy são ostracizados e sofrem com inúmeras dívidas e com a morte da sua filha prematura [Mary viria a sofrer mais dois abortos espontâneos, antes de nascer o seu unico filho, Percy Florence).

Em 1816, e depois do suicídio da primeira mulher de Percy, Harriet, casam-se e vão para a Suiça, passando o verão com Lord Byron, John William Polidori, e Claire Clairmont próximos de Genebra, local onde Mary Wollstonecraft Godwin, agora já conhecida como Mary Shelley, concebe a ideia da novela Frankenstein. Depois da morte de Percy em 1822, Shelley dedicou parte da sua vida a tentar publicar muitas das obras do marido.

Segundo a produtora Amy Baer, Haifaa al-Mansour é a realizadora perfeita para o projeto, pois a história de Mary Shelley é muito mais sobre o poder da mulher e de uma mulher à frente do seu tempo e não apenas a história típica da origem de um “monstro” [Frankenstein]. Já a cineasta saudita, descreve este seu projeto como «um sonho que se torna realidade».

Elle Fanning como Mary Shelley

Em declarações à publicação Ashwarq Al-Awsat, Haifaa define a obra como a história de uma jovem rapariga, Mary Shelley, que sonha em escrever uma novela e expressar-se numa sociedade conservadora: « Eu li o guião da Emma Jensen e adorei-o, bem como a personagem de Mary Shelley, que desafiou a sociedade ao escrever Frankenstein», uma obra com ficção cientifica e não um romance.

Quanto ao elenco do filme, a saudita diz que estão neste momento à procura de atores e que a nível pessoal imagina a jovem Elle Fanning no papel de Mary Shelley, dependendo da forma como a atriz aplicar o «sotaque britânico».

Os novos projetos sauditas de Haifaa al-Mansour

Apesar de terem-se aberto as portas de Hollywood, a cineasta já tem na mente um novo projeto a ser filmado na Arábia Saudita, estando o guião atualmente a ser escrito. Nem todos os detalhes sobre o filme estão definidos, mas a temática desta vez não serão as mulheres, mas sim homens jovens e os problemas que encontram para atingir os seus sonhos: «Desta vez vou saltar ao outro lado da barricada e lidar com o mundo dos homens (…) vamos ver como vai correr».

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