Com o cinema e a TV inundados de obras sobre mortos-vivos, cada vez se torna mais complicado encontrar produtos que realmente representem variações no género.
Isso é coisa com que não nos temos de preocupar em Miss Zombie, uma filme japonês de baixo orçamento assinado por Sabu [Hiroyuki Tanaka], um argumentista, realizador e ator ocasional que tem um estilo tão próprio que se tornou objeto de culto, não só no Japão, mas um pouco por todo o mundo.
Realizador de filmes como D.A.N.G.A.N Runner (1996) [que passou pelo Fantasporto em 1999], Monday (1999), Drive (2001) [que passou pelo Fantasporto em 2005], The Blessing Bell (2002), Hard Luck Hero (2003) [que passou pelo IndieLisboa em 2004], Hold Up Down (2005), Dead Run (2006) e Kanikosen (2009), Sabu apresenta em Miss Zombie um perspetiva diferente do género, acabando por transformar o seu filme de zombies num estudo arthouse sobre…os humanos, caracterizados como egoístas e gananciosos, a embarcarem numa explicita degradação moral numa sociedade onde o materialismo avança sem obstáculos.
Quanto à história propriamente dita de Miss Zombie, esta centra-se em Sara, uma zombie que é entregue à família Teramoto. Trabalhando como criada, como se um autómato se tratasse, esta escrava «moderna» rapidamente começa a ser vitima de abusos, transformando-se mesmo no brinquedo sexual dos homens da família. Quando Kenichi, um dos filhos do casal Teramoto, morre, Sara é forçada a morder o rapaz, transformando-o assim também num zombie, e dando também à história e à família uma «mordidela» fatal.
Com passagens pelos festivais de cinema como o L’Etrange, Fantastic Fest e Busan [a decorrer], Miss Zombie vai ainda chegar a Sitges e quem sabe… ao Fantasporto?

