Naomi Watts alerta em San Sebastián: “O ódio está em alta”

A atriz apresentou The Housewife em San Sebastián e falou ao C7nema sobre David Lynch, antissemitismo e a necessidade de ampliar os olhares femininos no cinema.

Recém-projetado no TIFF, de olho numa potencial nomeação a prémios para a sua estrela central, The Housewife entra na programação de San Sebastián, na sua 74.ª edição, de boleia na consagração de Naomi Watts com o Prémio Donostia. A longa-metragem acabou por se tornar a tónica da conferência de imprensa da atriz anglo-australiana de 57 anos, ainda que forças cinéfilas do seu passado tenham pedido passagem pela sua visita ao Teatro Kursaal, centro nervoso do evento, sob a forma de uma saudade: David Lynch (1946-2025).

“Fico feliz por notar que o trabalho que fizemos em Mulholland Drive ainda ressoa depois de duas décadas, integrando uma série de listas de filmes que marcaram época. E ainda fizemos Twin Peaks. Tenho um débito imenso com David, pois, num momento em que vinha a receber uma série de negativas no meu trabalho, ele soube olhar para além disso e ver o que eu poderia fazer. O filme que fizemos foi uma consolidação da minha carreira”, diz Naomi ao C7nema, na concorrida conversa com os jornalistas.

O ponto mais debatido na troca com a imprensa foi o caráter crítico que The Housewife carrega em relação a práticas de antissemitismo hoje em crescimento. A trama decorre em Nova Iorque, em 1964, e baseia-se numa história real, com argumento de Alyssa Hill. O enredo acompanha um jovem jornalista (Tye Sheridan) que descobre que um suposto antigo oficial nazi vive clandestinamente no bairro de Queens. Ao fazer amizade com a encantadora esposa do principal suspeito, interpretada por Naomi Watts, a sua investigação toma um rumo inesperado, colocando em causa a sua integridade jornalística.

O realizador Ben Shirinian esteve ao lado de Naomi ao longo da conferência, concordando com as suas afirmações sobre a necessidade de permanecermos vigilantes perante as intolerâncias dos dias de hoje.

“O ódio está em alta e é necessário abrir um debate. Os monstros não precisam de parecer assustadores para serem aquilo que são. Os nazis estão por aí. Da mesma forma, é importante que se façam filmes capazes de refletir as visões das mulheres”, respondeu Naomi. “Entrei no radar de Hollywood tarde para os padrões desta indústria. Já tinha uns 30 anos. Hoje estou no outono dos meus 50 e acho importante ver diferentes olhares femininos no cinema.”

Naomi recebe o seu Prémio Donostia na noite deste sábado. O Festival de San Sebastián prossegue até ao dia 26 de setembro.

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