Faleceu em Paris esta terça-feira, 1 de setembro, o cineasta Jean-Paul Rappeneau, realizador de filmes como La Vie de château (Escândalo no Castelo), com Catherine Deneuve, Le Sauvage (Meu Irresistível Selvagem), protagonizado por Yves Montand e novamente Deneuve, e Tout feu tout flamme, com Isabelle Adjani. A sua carreira ficou particularmente associada a Cyrano de Bergerac (1990), protagonizado por Gérard Depardieu, um dos grandes êxitos do cinema francês do período.
Conhecido pelo perfeccionismo e por um ritmo de produção particularmente espaçado, Rappeneau começou a carreira no cinema como assistente de realização, colaborando em curtas-metragens de Édouard Molinaro, passando depois para a escrita de guiões. Em 1958, trabalhou em Les Trois Mousquetaires (Os Três Mosqueteiros), de Jacques Becker, projeto interrompido pela morte do realizador. Depois disso, colaborou com Louis Malle em Zazie dans le métro (Zazie no Metro) e com Philippe de Broca em L’Homme de Rio (O Homem do Rio), assinando em 1966 o seu primeiro sucesso a solo.
“Veja-se o La Vie de château, o meu primeiro filme. A minha inspiração criei-a eu mesmo (risos). A minha inspiração na época foram as coisas que amei nos meus tempos de cinefilia, como as coisas que via nos cineclubes, e aí sempre esteve muito presente o cinema americano.“, disse o cineasta ao C7nema em 2016, aquando da sua presença na Festa do Cinema Francês, em Lisboa. “A Nouvelle Vague, os grupos do Truffaut e Godard preferiam o cinema americano. Eles detestavam os cineastas franceses e, naquilo que me diz respeito, não gostava do cinema francês da época, com exceção do Jacques Becker“.
Depois desse filme, seguiu-se Le Sauvage, que o colocou na posição de “autor”, embora Rappeneau tenha admitido ao C7nema não gostar da mitologia criada em torno desse termo. Na sua cinematografia, é impossível escapar a Cyrano de Bergerac, filme que inicialmente teve muitas reservas em concretizar, até porque tinha outro projeto que considerava mais relevante e que nunca chegou a concretizar. Ainda assim, garante-nos que “Não mudava nada” caso o filmasse novamente, definindo-o como uma “ópera verbal”.
Realizador ainda de filmes como Le Hussard sur le toit (O Hussardo no Telhado), Bon voyage (Boa Viagem) e Belles familles (Que Famílias!), Rappeneau publicou em 2025 o livro de memórias Vive allure, no qual revisitou a sua relação com o cinema e o seu método de trabalho.

