Morreu o cineasta português João Canijo (1957-2026)

(Fotos: Divulgação)

Faleceu aos 68 anos o cineasta português João Canijo, vitima de um ataque cardíaco fulminante durante a noite.

Um dos autores mais consistentes do cinema português, João Altavilla Canijo (1957-2026) deu uma atenção especial no seu cinema às tensões sociais, às estruturas familiares e à violência do quotidiano, fosse esta visível ou invisível.

Iniciou o seu percurso nos anos 1980, após se formar em História e de acumular experiências como assistente de realização de cineastas como Manoel de Oliveira, Paulo Rocha e Werner Schroeter. Tornou-se particularmente conhecido pela forma como escrevia personagens femininas complexas, como se viu em Filha da Mãe (1991), Sangue do Meu Sangue (2012) e no díptico Mal Viver / Viver Mal (2023).

Entre os seus trabalhos mais marcantes encontramos ainda Três Menos Eu (1988), a sua primeira longa-metragem, que estreou no Festival de Roterdão, cinco anos depois da curta A Meio-Amor (1983). Sapatos Pretos (1998), Ganhar a Vida (2001), Noite Escura (2004) e Mal Nascida (2007) consolidaram  a sua posição no cinema nacional, onde assinou também objetos de cariz mais ensaístico, como Fantasia Lusitana (2010), Trabalho de Actriz, Trabalho de Actor (2011) e Fátima (2017).

Canijo teve igualmente experiências como encenador teatral, a partir de textos de David Mamet e Eugene O’Neill, e na televisão, em séries como Alentejo Sem Lei (1991) ou Cluedo (1995). Seria também no pequeno ecrã que estrearia Fátima, Caminhos da Alma (2017) e Hotel do Rio (2024), a forma televisiva de Mal Viver / Viver Mal

Não escrevo os diálogos. Eles são escritos durante os ensaios. Tudo o que se passa nos ensaios é filmado e depois transcrito.”, explicou o cineasta, no Festival do Rio, em 2023, ao C7nema. “ Só depois é que faço a manipulação do material que foi produzido e parto para a escolha do que fica e do que sai. Depois de ter um roteiro completo, nós improvisamos as cenas todas e é dessa improvisação que saem os diálogos finais”.

Recentemente, o realizador, argumentista e produtor, nascido no Porto, rodou a longa-metragem Encenação, onde voltou a trabalhar com muitas das atrizes que percorreram a sua carreira. Entre elas estão Rita Blanco, Anabela Moreira e Beatriz Batarda. O filme permanece inédito.

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