Festival de Veneza marcado por protesto contra guerra em Gaza

(Fotos: Divulgação)

Tradicionalmente menos político do que outros certames internacionais, como Berlim ou Cannes, o Festival de Cinema de Veneza transformou-se este sábado no palco de uma enorme manifestação contra à guerra em Gaza. 

Milhares de pessoas responderam ao apelo de várias organizações e marcharam pelas ruas do Lido, até à zona central do festival, exibindo bandeiras da Palestina e entoando palavras de ordem como “Free Palestine” (Liberdade para a Palestina).

Em comunicado, os organizadores acusaram Israel de bombardear hospitais, escolas e campos de refugiados, de privar civis de alimentos e água, e de matar jornalistas e médicos. Denunciaram ainda a cumplicidade da Europa e de Itália, através de fornecimento de armas, acordos económicos e apoio diplomático, sublinhando que “o Festival de Veneza não podia permanecer um evento isolado da realidade”.

Esta manifestação ocorre após a criação do movimento Venice4Palestine, que já no dia inaugural do festival tinha colocado uma faixa a apelar à liberdade da Palestina. Um dia depois, surgiu um movimento contrário, Venice4Israel, que acusava o primeiro movimento de promover uma “campanha de ódio contra Israel” e promover o antissemitismo.  

Antevê-se que dia 3 de setembro, quarta-feira, novas manifestações possam ocorrer em Veneza dada a exibição de um dos filmes na corrida ao Leão de Ouro: The Voice of Hind Rajab, projeto da realizadora tunisina Kaouther Ben Hania, nomeada aos Óscares por Four Daughters (Quatro Filhas, 2023) e The Man Who Sold His Skin (O Homem Que Vendeu a Sua Pele, 2020).

O filme baseia-se na história verídica de Hind Rajab, uma menina de seis anos que, em janeiro de 2024, ficou presa dentro de um carro alvo de disparos por parte das forças israelitas em Gaza. A criança telefonou para os serviços de emergência e manteve-se em contacto com voluntários da Crescente Vermelho, que tentaram enviar uma ambulância. Hind foi encontrada morta horas mais tarde. O filme recria os momentos da chamada telefónica e transforma-os numa narrativa cinematográfica.

No coração deste filme está algo muito simples, e muito difícil de aceitar: não posso aceitar um mundo onde uma criança pede ajuda e ninguém responde. Essa dor, esse fracasso, pertence a todos nós.”, afirma Ben Hania. “O cinema pode preservar uma memória. O cinema pode resistir à amnésia. Que a voz de Hind Rajab seja ouvida”.

Com a produção executiva de Brad Pitt, Joaquin Phoenix, Rooney Mara, Alfonso Cuarón e Jonathan Glazer o filme vai concorrer ao Óscar de Melhor Filme Internacional pela Tunísia.

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