Julian Schnabel regressa ao Festival de Cinema de Veneza, onde exibira no passado “Before Night Falls” (2000), “Miral” (2010) e “At Eternity’s Gate” (2018), com uma nova obra ambiciosa e conturbada, “In the Hand of Dante”, que terá a sua estreia mundial fora de competição no Lido.
Com 150 minutos de duração, o novo filme do realizador enfrentou meses de pressão por parte dos financiadores para reduzir o tempo de exibição, mas graças à insistência de Schnabel e o apoio de Alberto Barbera, diretor artístico do festival, a versão que será apresentada será a que o cineasta concebeu: longa, parcialmente em preto e branco, e sem concessões .
“A maioria dos filmes no festival duram entre duas horas e quinze minutos e duas horas e meia — um novo padrão internacional que preocupa quem tem de programar tudo isto“, admitiu Barbera. “Schnabel lutou pela sua versão e é esta que será exibida em Veneza. Acredito que chegaram a um acordo“.

Segundo fontes próximas à produção, Schnabel, que procurava há uma década conseguir fazer este projeto, terá assinado um contrato inicial a garantir um filme de duas horas e a cores. No entanto, a obra final ultrapassa esse limite e incorpora sequências a preto e branco. Durante quase um ano, o realizador e os produtores debateram-se com versões alternativas, num conflito que reflete o choque crescente entre a criação artística e as exigências do mercado.
Filmado em locais históricos de Roma, “In the Hand of Dante” adapta o romance homónimo de Nick Tosches, uma obra que entrelaça duas linhas temporais. A primeira acompanha Dante Alighieri no século XIV, num retrato íntimo do poeta enquanto escreve “A Divina Comédia“. A segunda linha transporta-nos para os dias de hoje, com um académico carismático e marginal, que descobre um manuscrito perdido que o coloca em rota de colisão com a máfia italiana.
No elenco encontramos Oscar Isaac, Gal Gadot, Jason Momoa, John Malkovich, Gerard Butler, Al Pacino, Franco Nero e Martin Scorsese.

