Martin McDonagh: “os governos estão a ficar cada vez mais assustados com as vozes dissidentes”

(Fotos: Divulgação)

Numa entrevista ao programa Today da BBC, Martin McDonagh afirmou que diversos teatros recusaram-se a apresentar o seu trabalho depois da sua discordância em alterar os textos que escreve. “Eles queriam tornar algumas palavras mais palatáveis para eles ou para o que eles acham que é a sua audiência”, disse o dramaturgo transformado em cineasta.

Para o realizador de filmes como “Três Cartazes à Beira da Estrada” e “Os Espíritos de Inisherin“, esta situação tornou-se um “grande problema” e tornou a profissão de escritor “perigosa“. McDonagh disse ainda à BBC que a censura de escritores patrocinada pelo estado “não está a melhorar” e que “parece que os governos estão a ficar cada vez mais assustados com as vozes dissidentes”. “Acho que é um momento muito assustador”, acrescentou o autor, sugerindo que as novas vozes autorais devem “sair das redes sociais”, “parar de consultar a internet” e “sair e se indignar”.

Recorde-se que estas afirmações chegam pouco tempo depois da autora americana de best-sellers Judy Blume, cujo romance de sucesso “Forever” foi retirado da lista de leitura das escolas num condado do estado da Flórida, EUA, afirmar na semana passada que o fenómeno atual de livros a serem banidos é “pior do que nos anos 1980 – e tornou-se político”.

Nos últimos tempos, uma série de obras literárias tem sido revista. Autores como Agatha Christie e Roald Dahl viram os seus trabalhos atualizados pelos editores, como a Puffin, que anunciou em fevereiro passado que ia remover palavras consideradas ofensivas em 2023 dos livros infantis de Dahl. A editora afirmou mesmo que iria lançar duas versões das obras do autor: uma alterada e outra inalterada.

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