A 18ª edição do festival decorre entre 21/08 e 06/09, tendo como espaços os cinemas São Jorge, Ideal, a Culturgest, a Cinemateca e o Palácio Galveias.
O filme de abertura é “Summer of Soul (Or, When the Revolution Could Not Be Televised)“, obra que recupera as filmagens de um grande evento musical ocorrido no Harlem, em 1969, e que ficaram desaparecidas durante 50 anos. Grandes artistas (B.B. King, Nina Simone, Stevie Wonder, Sly & The Family Stone) atuam em meio a manifestações políticas que alertavam para a precariedade da vida no bairro. Situado em outras paisagens, Sérgio Tréfaut encerra o festival com “Paraíso“, um passeio pelo Jardim do Cadete, ex-sede governamental do Brasil no Rio de Janeiro, onde grupos de idosos reúnem-se para celebrar a música brasileira.
O cinema português aparece nas mais diversas abordagens estéticas e temática – onde “Ecos da Vermelha“, de Bruno Teixeira, revisita a Vila Franca de Xira da resistência antifascista, “A Cidade de Portas“, de Teresa Prat e Humberto Kzure sobre o urbanista Nuno Portas, e “Vieirarpad“, de João Mário Grilo, que propõe uma recuperação poética da arte e do romance envolvendo Maria Helena Vieira da Silva e Árpád Szenes.
Numa perspetiva mais experimental fazem parte das competições “Granary Squares“, de Gonçalo Lamas e as curtas “Transportation Procedures for Lovers“, de Helena Estrela, e “13 Ways of Looking at a Blackbird“, de Ana Vaz; numa vertente mais narrativa, Catarina Ruivo apresenta o plástico “Boa Noite“, com fotografia de João Ribeiro, enquanto Marta Sousa Ribeiro surge com “Simon Chama” – um drama realista de um adolescente às voltas com o divórcio dos pais.

Com seu conhecido registo em torno do docudrama, Susana Nobre apresenta “No Táxi de Jack” e, entre outros projetos lusitanos, destaque ainda para “A Távola de Rocha“, de Samuel Barbosa, estreado em Locarno e que aborda a obra do grande ícone do Cinema Novo Português, Paulo Rocha. Um dos mais famosos filmes do cineasta, “Verdes Anos“, tem sessão complementar na Cinemateca.
“Má Sorte no Sexo ou Porno Acidental“, de Radu Jude, tem antestreia no IndieLisboa, semanas antes do lançamento nacional, previsto para 9 de setembro. O grande vencedor do Urso de Berlim é uma sátira com relação ao moralismo e a hipocrisia reinantes – narrando a história de uma professora que é pressionada a demitir-se quando uns vídeos de sexo amador vão parar à internet.
Em 1970 Orson Welles embarcava em mais uma das suas aventuras cinematográficas inacabadas; Dennis Hooper, por seu lado, compunha o elenco de “The Other Side of the Wind” – obra recuperada por Filip van Rymsza e lançada em 2018. O mesmo cineasta traz Hooper/Welles, uma conversa (o filme é assinado por Orson Welles) onde este último entrevista Hooper – então em grande evidência dado o sucesso esmagador de “Easy Rider“.

Entre os destaques do IndieMusic estão “Ney à Flor da Pele“, antologia visual dedicada a trajetória de um dos grandes ícones da música brasileira, “Crock of Gold: A Few Rounds with Shane MacGowan“, que o consagrado Julien Temple dedica ao enfant terrible líder dos Pogues, e “The Sparks Brothers“, obra sobre os misteriosos e míticos irmãos Sparks, que ainda recentemente vimos e ouvimos em “Annette” de Leos Carax.
A seção Boca do Inferno recupera “Ecologia del Delito“, filme influente onde Mario Bava despe a história dos enredos rocambolescos do giallo para ficar com a parte dos assassinatos ritualizados. Criou assim um dos grandes patriarcas dos slashers. Entre as obras recentes, encontra-se “Spree“, um divertido e acutilante filme que aproveita toda a dinâmica a envolver o universo dos youtubers e os seus seguidores para denunciar a sua desumanidade.
O IndieLisboa dedica as suas retrospetivas este ano ao cineasta colombiano Camilo Restrepo, de “Los Condutos“, e a Sarah Maldoror, ícone do cinema de resistência baseado no anticolonialismo, no marxismo e no pan-africanismo.

