Marta Sousa Ribeiro em San Sebastián: “O ‘Simon Chama’ saiu-me muito do pelo”

(Fotos: Divulgação)

É já hoje, 21 de setembro, que o filme português “Simon Chama”, a primeira longa-metragem de Marta Sousa Ribeiro, vai ter a sua estreia mundial na secção competitiva Zabaltegi-Tabakalera do Festival de San Sebastián.

Filmado em três fases ao longo de cinco anos, no filme acompanhamos Simon, um jovem que vive com a mãe e irmã apos o divórcio dos pais. “O divórcio dos meus pais influenciou completamente este filme”, disse Marta Sousa Ribeiro ao C7nema, acrescentando que só percebeu bem o filme que estava a fazer há dois anos, comparando o processo a pintar uma tela de olhos de fechados: “Foi um processo de reorganização de ideias (…) terapia (…) um projeto muito ambicioso, demasiado até“.

Sobre a estética muito particular da fita, que aparece em diferentes formatos, como que num jogo de caixas dentro de caixa, Marta diz que uma das coisas que a moldou muito nestes anos de construção da obra foram os vídeos na internet, onde tentou perceber referências do mundo exterior.

Sentia-me muito numa bolha, basicamente um manual de como sobreviver, como se integrar? Então procurava isso em muitos filmes, via imensos. Parecia-me lógico que o espectador tinha de ver o que eu, ou o Simon neste caso, via. É um sentimento de quereres projetar nos outros o que estava a acontecer“, explicou Marta Sousa Ribeiro, revelando que há ainda outro elemento que a atrai. “Ainda hoje não percebo bem porquê esta ideia trágica e violenta de viver na rua me é tão sedutora, mas acho que tem a ver com o facto de teres liberdade. Por isso mesmo fui buscar aqueles excertos e vídeos (…) eu não quero de todo que isto seja confundido com o resto do material filmado. Isto tem de ser assumidamente diferente. Isto é um formato 720p , isto é uma espécie de um ecrã dentro de outro ecrã. Faz todo o sentido que assim seja, por isso nem sequer aumentei isso”.

O futuro

Gostava de fazer outras coisas que não implicam meter a tua vida em jogo todos os dias”, diz Marta Sousa Ribeiro sobre o futuro, adiantando que espera uma criação mais leve, estando no seu horizonte a concretização de uma série de curtas. “Uma coisa positiva que a finalização do ’Simon’ me trouxe foi dar-me alguma segurança e confiança que eu realmente consigo fazer os projetos até ao fim. Quer queiram, quer não, quando trabalhamos numa coisa há cinco anos pensamos sempre se um dia vamos acabar as coisas. Tive uma vez para desistir, não foi fácil. Nós só soubemos que íamos acabar o filme quando o Euroimages em 2018 nos deu o prémio. Houve assim, felizmente, alguns empurrões pelo caminho

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