Caso 137: Léa Drucker investiga violência policial em protestos dos Coletes Amarelos

(Fotos: Divulgação)

Depois de A Noite do 12, onde, a partir do livro de não ficção de Pauline Guén, explorava não apenas a investigação de um homicídio real, mas também o desgaste íntimo de quem o investiga, o franco-germânico Dominik Moll (O Monge) parece ter consolidado a sua afinidade com o género policial.

Dossier 137 (Caso 137) leva-nos agora a Paris, onde uma agente da polícia francesa, Stéphanie (Léa Drucker), que trabalha para a Inspeção Geral da Polícia Nacional (Inspection Générale de la Police Nationale), vai ter de investigar um potencial caso de violência policial, que envolve uma granada de dispersão que deixou um jovem gravemente ferido durante um protesto dos Coletes Amarelos.

O thriller policial é o enquadramento e uso esses códigos para prender o público. Depois insiro outros temas, como o drama. Interessa-me falar dos Coletes Amarelos, porque foi um movimento que abalou França e deixou o governo em pânico”, disse Dominik Moll ao C7nema, durante o Festival de Cannes, onde o filme concorreu à Palma de Ouro. “Os Coletes Amarelos usavam coletes de alta visibilidade – era um grito: ‘olhem para nós’. Muitos eram famílias pacíficas, que acabaram feridas gravemente. E depois foram ignoradas. Houve uma estratégia de assustar as pessoas para não irem às manifestações. Isso é grave numa democracia.”

Caso 137

Nas investigações, os polícias passam muito tempo a recolher vídeos – de câmaras de vigilância, redes sociais, jornalistas – e muitas vezes encontram vários ângulos da mesma ação, relembra o cineasta: “Torna-se quase trabalho de montagem cinematográfica. Pareceu-me óbvio estruturar a investigação em torno dessas imagens.”

Conhecida por filmes como Custódia Partilhada e No Verão Passado, cabe a Léa Drucker dar corpo e alma a uma agente com a dura tarefa de investigar os próprios colegas, arranjando naturalmente inimigos no processo. Paralelamente, nas ruas existe a crença de que, mais do que investigar um crime no seio policial, estes agentes investigam de forma a proteger os seus. “Para a agente da polícia que investiga outros polícias, isso é um problema“, explicou Drucker ao C7nema. “Eles não são bem vistas pelos colegas. Se falarmos com o cidadão comum, ele vai dizer que esses polícias só existem para proteger os colegas. Estes agentes não são populares e estão numa zona sombria“.

Interpretando uma personagem que saiu da brigada de narcóticos e juntou-se a este departamento que investiga a ação dos colegas, Drucker diz que o que move objetivamente Stéphanie é “fazer bem o seu trabalho“, doa a quem doer. “Ela quer justiça e que a polícia tenha uma boa imagem para que os cidadãos confiem neles. Dá-me sempre esperança ver pessoas que procuram uma rota para a verdade e para a justiça num sistema complexo e cheio de nuances.

Dossier 137 (Caso 137) poderá ser visto na Festa do Cinema Francês.

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