Mostra de São Paulo arranca com 380 filmes

(Fotos: Divulgação)

riada no final dos anos 1970 pelo crítico de origem arménia Leon Cakoff, com o objetivo de dar às salas da América do Sul o contexto estético da produção cinematográfica do seu tempo, a Mostra de São Paulo iniciou esta quarta-feira o percurso geopolítico das grandes seleções competitivas do audiovisual, com títulos oriundos de Roterdão, da Berlinale, de Cannes, de Locarno, do TIFF e de San Sebastián. Coube a Sirât, de Oliver Laxe, inaugurar a maratona, numa cerimónia na Sala São Paulo. As atrizes Stefania Gadda e Jade Oukid, que participam no filme, estiveram presentes na sessão. Houve mais três oportunidades para o público brasileiro descobrir este exercício de ficção transcendental, vencedor do Prémio do Júri em Cannes. Nesta quinta-feira, a Cinemateca exibiu a longa, que representa Espanha perante a Academia de Hollywood. No dia 22, o filme foi projetado no Cinesesc, e no dia 24 ocupou o Multiplex Playarte Marabá.

É uma vocação histórica do evento exibir potenciais concorrentes aos Óscares, o que justificou a presença de Springsteen: Deliver Me from Nowhere (na foto acima), de Scott Cooper, na grelha de uma edição — a 49.ª — que, a partir desta quinta-feira, prometeu 380 filmes vindos de 80 países ao público cinéfilo brasileiro. Baseado no livro de Warren Zanes, o filme, protagonizado por Jeremy Allen White (da série The Bear), acompanhou a criação do álbum Nebraska (1982), quando Springsteen era um jovem cantor à beira do estrelato global, tentando conciliar as pressões do sucesso com os fantasmas do seu passado. Gravado num gravador de quatro canais no quarto do músico, em Nova Jérsia, o disco marcou uma viragem na sua carreira e é considerado um retrato de uma América em desterro, assombrada pelos fantasmas da guerra do Vietname.

Esses espectros políticos de variadas ordens habitaram muitas das produções convocadas pela maratona paulistana, que decorreu até ao dia 30, quando a exibição de Jay Kelly, de Noah Baumbach, encerrou a programação. Também ele um potencial candidato aos Óscares, pelo desempenho de Adam Sandler — hoje o comediante de maior sucesso dos EUA — como coadjuvante numa trama sobre um astro em crise existencial (George Clooney).

No menu estiveram produções de todo o mundo, sendo que 85 delas tinham ADN brasileiro, com destaque para O Filho de Mil Homens, com Rodrigo Santoro à frente de uma narrativa construída a partir da prosa de Valter Hugo Mãe. O escritor português foi o autor do cartaz oficial desta Mostra e deslocou-se ao país para participar em debates. Entre os convidados estrangeiros destacou-se o norte-americano Charlie Kaufman, que apresentou a curta How to Shoot a Ghost.

Entre as atrações mais esperadas da Mostra, as mais procuradas foram Maya, Donne-Moi Un Titre, de Michel Gondry; La Memoria de las Mariposas, de Tatiana Fuentes Sadowski; e No Other Choice, de Park Chan-Wook. A exibição mais aguardada desta quinta-feira na maratona cinéfila paulista foi Frankenstein, de Guillermo Del Toro, apresentada na Cinemateca Brasileira. Superprodução de 120 milhões de dólares com o selo da Netflix, a longa estreou no final de agosto no Festival de Veneza, onde competiu pelo Leão de Ouro. Baseada no romance da autora Mary Shelley (1797–1851), esta nova leitura marcou o regresso de Del Toro ao grande ecrã. O inventor Victor Frankenstein (Oscar Isaac) cria uma criatura monstruosa (interpretada por Jacob Elordi) para satisfazer o desejo de ser Deus por um dia. A questão que o filme coloca é saber qual das duas criaturas é, afinal, mais terrível: o ser reanimado por choques elétricos ou o próprio Victor, consumido pela sua ambição despótica.

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