Um dia antes de arrancar oficialmente o Festival de Veneza, o certame homenageou Tinto Brass na pré-abertura da sua 83ª edição com a exibição de uma versão restaurada em 4K de Col cuore in gola (1967). O restauro foi realizado pelo Centro Sperimentale di Cinematografia – Cineteca Nazionale com o apoio da Netflix, que disponibilizará o filme a partir de 15 de setembro.
A ideia da homenagem partiu de Pietrangelo Buttafuoco, presidente da Bienal de Veneza, na busca de reavaliar o cineasta que durante décadas ficou associado sobretudo ao cinema erótico.
Protagonizado por Jean-Louis Trintignant e Ewa Aulin, Col cuore in gola é um thriller marcado pela pop art, banda desenhada e por uma abordagem radical à montagem e à cor. O filme acompanha Bernard (Trintignant), que conhece Jane (Ewa Aulin), quando a encontra junto ao cadáver do proprietário de um clube noturno, iniciando uma trama de crime com Bernard a tentar perceber até que ponto Jane está ligada ao homicídio.
“Descobri Tinto Brass com a sua primeira longa-metragem [Chi lavora è perduto, de 1963]”, recordou Albert Barbera, diretor artístico do certame. “Fiquei impressionado porque era um filme iconoclasta, na linha do cinema da Nouvelle Vague, e muito local, no sentido em que era uma história veneziana, com personagens venezianas“.
Brass, de 93 anos, não marcou presença Lido devido ao seu estado de saúde, tendo sido representado pela mulher, Caterina Varzi. Numa mensagem lida durante a sessão, rejeitou a divisão da sua carreira entre um primeiro período político e experimental e uma posterior fase erótica, afirmando ainda que Veneza é para si uma “mãe, mulher e amante”.

