Maria Fernanda Cândido prepara “Objetos Perdidos” com Luiz Fernando Carvalho após a homenagem em Gramado

Distinguida com o Kikito de Cristal, a atriz volta a colaborar com Luiz Fernando Carvalho numa fábula distópica, depois de uma trajetória que passou por Cannes, Hollywood e o BAFICI.

Coroada com o Kikito de Cristal na noite de quinta-feira, na Serra Gaúcha, Maria Fernanda Cândido prepara mais um capítulo da sua parceria com Luiz Fernando Carvalho. A atriz está envolvida em Objetos Perdidos, nova longa-metragem do realizador de Lavoura Arcaica e A Paixão Segundo G.H., descrita como uma fábula distópica contemporânea. A produção retoma uma colaboração iniciada há mais de duas décadas, que passou por novelas como Esperança e Capitu e chegou ao cinema com A Paixão Segundo G.H., pelo qual Cândido recebeu o prémio de Melhor Interpretação no BAFICI, em 2024.

A conquista em Buenos Aires ampliou uma trajetória que já havia sido consagrada em Gramado, onde a atriz ganhou o Kikito de Melhor Atriz em 2003. Nos últimos anos, porém, o seu percurso passou a adquirir uma dimensão internacional mais evidente, sobretudo depois de Il Traditore, de Marco Bellocchio, exibido em competição no Festival de Cannes de 2019. No filme, interpreta Maria Cristina de Almeida Guimarães, mulher de Tommaso Buscetta, interpretado por Pierfrancesco Favino.

O convite para a longa-metragem italiana surgiu por indicação do produtor brasileiro Fabiano Gullane, que apresentou o seu trabalho a Bellocchio. A própria atriz contou que o realizador italiano não a conhecia antes do encontro, mas acabou por escolhê-la para o principal papel feminino. Depois da passagem por Cannes, Il Traditore ganhou circulação europeia e abriu novas portas para Cândido.

Em 2022, avançou ainda mais no mapa internacional ao entrar no universo de J.K. Rowling como Vicência Santos em Fantastic Beasts: The Secrets of Dumbledore. A personagem é a ministra da Magia do Brasil e candidata ao posto de Chefe Suprema da Confederação Internacional dos Bruxos. Para Cândido, a experiência exigiu uma relação diferente com o trabalho: “Os atores tinham que recorrer à coisa mais simples de todas, ao faz de conta”.

A atriz também passou pelo cinema europeu em Bastardi a mano armata, de Gabriele Albanesi, e por produções como La Chambre des merveilles, de Lisa Azuelos. Mais recentemente, integrou O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, consolidando uma presença internacional que já não depende apenas de personagens brasileiras ou de produções rodadas no país.

Há, contudo, um fio brasileiro a ligar estas experiências: a parceria com Luiz Fernando Carvalho. Em A Paixão Segundo G.H., Maria Fernanda enfrentou um dos papéis mais radicais da sua carreira ao dar corpo e voz à personagem de Clarice Lispector. O filme circulou por Roterdão, BAFICI e outros festivais, e a sua interpretação foi premiada em Buenos Aires.

Agora, com Objetos Perdidos, a atriz volta a trabalhar com Carvalho numa etapa em que a sua carreira parece operar simultaneamente em duas frentes: a consolidação de uma filmografia brasileira de forte assinatura autoral e a permanência num circuito internacional que já a levou de Bellocchio ao universo de Harry Potter. É uma trajetória que começou no Brasil, ganhou o Kikito, atravessou Cannes e chegou a Hollywood sem romper o vínculo com os cineastas que ajudaram a moldá-la.

Link curto do artigo: https://c7nema.net/92h5

Destaques