La Gradiva, de Marine Atlan, venceu o Grande Prémio AMI Paris da Semana da Crítica, em Cannes. O júri presidido por Payal Kapadia distinguiu a primeira longa da cineasta, centrada num grupo de adolescentes franceses em viagem a Nápoles e Pompeia.
“Interessava-me contar o momento em que tomamos consciência de que pertencemos a um tempo muito maior do que o da nossa própria vida. Que fazemos parte de uma história“, disse a cineasta francesa ao C7nema, logo após a estreia do filme. “Acho que isso acontece na adolescência, porque estamos numa transição. No início sentimo-nos todo-poderosos, presos aos nossos problemas, aos nossos amores, às nossas angústias e medos. Aos poucos, começamos a ganhar distância em relação ao mundo. Era isso que me interessava.“
Também vencedor foi Viva, de Aina Clotet, que recebeu o Louis Roederer Foundation Rising Star Award. O filme segue uma mulher que depois de perder um seio devido ao cancro de mama muda a sua vida, pondo em risco a relação que tem. “A ideia era sobretudo mostrar como uma experiência traumática e extrema pode levar alguém a questionar toda a sua vida, todas as estruturas em que assentava a sua identidade.”, disse Clotet ao C7nema. “A protagonista sente uma marca física e emocional muito profunda e começa a tentar reapropriar-se da própria vida.“
Entre outros vencedores, A Girl Unknown, de Zou Jing, ganhou o prémio Gan Foundation para distribuição; Dua, de Blerta Basholli, venceu o SACD; e, nas curtas, foram premiados Skinny Boots e “Vaterland” or A Bule Named Yanto.

