O realizador belga Michaël R. Roskam regressará ao Festival de San Sebastián para encerrar, fora de competição, a Secção Oficial da 74.ª edição com Le Faux Soir. O filme será exibido no dia 26 de setembro, no Kursaal, depois do anúncio do palmarés, e terá a sua estreia europeia após a passagem pelo Festival de Toronto.
Roskam, que recebeu o Prémio do Júri de Melhor Argumento em San Sebastián por The Drop – O Duplo (2014), revisita agora um dos episódios mais singulares da resistência belga durante a Segunda Guerra Mundial. Baseada no livro Le “faux” Soir, 9 novembre 1943, de Marie Istas, a longa-metragem reconstitui uma operação clandestina que transformou a imprensa numa arma contra a ocupação nazi.
A história decorre em 1943, quando os ocupantes transformaram o diário nacional Le Soir numa ferramenta de propaganda. Para levantar o moral da população belga, um grupo de membros da Resistência teve uma ideia arriscada: produzir uma edição falsa do jornal, mantendo a mesma identidade visual e o mesmo formato, mas recheando as páginas de artigos que ridicularizavam os nazis. O episódio é considerado por alguns historiadores o primeiro grande “hack” de um meio de comunicação da história.
Produção belga-francesa, Le Faux Soir reúne no elenco Arieh Worthalter, Mélanie Thierry, Karim Leklou, Mara Taquin, Bouli Lanners, Julien Frison e François Damiens. O filme parte de um acontecimento real para combinar resistência política, imprensa e propaganda numa narrativa ambientada num dos períodos mais sombrios da história europeia.
Nascido em Sint-Truiden, em 1972, Roskam trabalhou como jornalista no diário de língua neerlandesa De Morgen antes de iniciar a carreira cinematográfica. Depois de realizar as curtas-metragens Carlo (2004) e The One Thing to Do (2005), estreou-se na longa-metragem com Rundskop / Bullhead (2011). Apresentado na secção Panorama da Berlinale, o filme recebeu uma nomeação para o Óscar de Melhor Filme Internacional e colocou o realizador na lista de dez cineastas a acompanhar da revista Variety.

