“Silent City Driver” vence Tallinn Black Nights

(Fotos: Divulgação)

O filme mongol “Silent City Driver”, de Sengedorj Janchivdorj, venceu  o Grande Prémio de Melhor Filme no Tallinn Black Nights, certame que arrancou no passado dia 8 de novembro e encerrou hoje, 24 de novembro.

O drama estilizado assinado pelo realizador de “The Sales Girl” (2021) segue um homem de 32 anos que, depois de cumprir 14 anos de prisão pelo seu envolvimento num caso de homicídio, enfrenta a rejeição social e os desafios de saúde decorrentes de um espancamento na prisão, encontrando consolo apenas a cuidar de cães vadios, enquanto trabalha como condutor de um carro funerário.

Este conto de fadas sombrio da Mongólia apanhou-nos de surpresa”, referiu o júri, constituído por Christoph Hochhäusler, Bianca Balbuena, Tomas Vengris, Marija Razgutė e Jawad Rhalib. “Desde a primeira cena, tivemos a sensação de um filme a abrir novos caminhos. Silent City Driver é um filme muito estiloso, mas o estilo aqui está na substância e as escolhas formais não servem para desviar, mas para aprofundar este universo muito cinematográfico, povoado por personagens únicas, maiores que a vida, mas muito, muito humanas”. A esta distinção, o filme somou ainda o prémio de Melhor Design de Produção, entregue a Munkhbat Shirnen.

Pink Lady

Já o prémio de Melhor Realizador foi atribuído a Nir Bergman, por “Pink Lady”, filme que nos leva até à comunidade ortodoxa de Israel e a um casal que tem de lidar com o facto do homem assume (mas jura combater as suas) preferências homossexuais. “Quando a vasta e complexa máquina de um filme funciona em perfeita sincronia, quando cada atuação é subtil e comovente, cada passo emocional parece honesto e comovente… e todos estes elementos se entrelaçam perfeitamente num mundo envolvente e envolvente – este é um sinal de grande direção”, afirmou o júri.

O prémio de Melhor Fotografia foi entregue a Claudia Becerril Bulos pelo seu trabalho em “Empire of the Rabbits”, de Seyfettin Tokmak,  que ganhou ainda a laúrea de Melhor Argumento, enquanto a distinção de Melhor Banda Sonora Original foi conquistada por Alyana Cabral e Moe Cabral pelo trabalho em“Some Nights I Feel Like Walking”.

Nas interpretações, Pirjo Lonka e Elina Knihtilä ganharam o Prémio de Melhor Atriz, pelos seus papéis em “100 Liters of Gold”, de Teemu Nikki, enquanto o de Melhor Ator foi para Lee Hyo-Ye pelo seu papel em “The Loop”. 

Pyre

Finalmente, ainda na Competição Internacional, o indiano “Pyre“, uma balada melancólica de um amor eterno numa terra moribunda, conquistou o Prémio do Público.

Na competição de 1ªs obras, o filme alemão “No Dogs Allowed”, de Steve Bache, foi o Melhor Filme; Diego Figueroa conquistou a Melhor Realização por “A Yard Of Jackals”; o elenco de “Mongrels” ganhou o prémio de interpretação; e “Ciao Bambino”, de Edgardo Pistone, venceu o Prémio Especial do Júri.

Noutras secções, “Southern Chronicles”, de Ignas Miškinis, foi o Melhor Filme na Competição Báltica; “The Brothers Kitaura”, de Masaki Tsujino, venceu nas Escolhas da Crítica; “Protected Men”, de Irene von Alberti, triunfou na Rebels With a Cause; e “The Watchman”, de Victoire Bonin e Lou de Pontavice, venceu a novíssima DOC@PÖFF, dedicada ao documentário. Nesta última secção, a produção portuguesa “Black Gold”, de Takashi Sugimoto, ganhou o Prémio Especial do Júri.

Um dos pontos altos do Tallinn Black Nights foi a entrega de um prémio de carreira a uma das mais conceituadas realizadoras da Geórgia, Lana Gogoberidze. Aos 96 anos, Gogoberidze, conhecida pelos seus filmes que retratam predominantemente mulheres fortes que lutam contra o destino e ousam desafiar as normas sociais para manter a sua independência, marcou presença no certame.

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