Racismo e Pedro Costa na mira do MOTELX

Foi hoje apresentada a primeira dose de filmes e eventos que o MOTELX vai apresentar este ano de 7 e 14 de setembro, isto depois de 3 dias de eventos Warm-Up ao ar livre.

(Fotos: Divulgação)

Neste ano tão diferente de todos os que já vivemos, a 14.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Terror de Lisboa apresenta como principal destaque uma retrospectiva ao racismo e o cinema de terror.

Denominado  Pesadelo Americano: O Racismo e o Cinema de Terror, este ciclo é uma extensão diretamente ligada ao caso George Floyd, que manchou 2020, ao movimento Black Lives Matter, mas igualmente demonstra uma continuidade do festival em abordar o tema, até porque no ano passado – embora ao de leve – o assunto já tinha marcado presença na programação através do documentário “Horror Noire: A History of Black Horror”.

Nessa retrospetiva serão exibidos filmes como  The Intruder (Roger Corman, 1962), ), Ganja & Hess (Bill Gunn, 1973), White Dog (Samuel Fuller, 1982), The People Under the Stairs (Wes Craven, 1991), Candyman (Bernard Rose, 1992), Tales from the Hood (Rusty Cundieff, 1995) e Get Out (Jordan Peele, 2017).

Outro motivo de destaque no MOTELX em 2020 é o foco em Pedro Costa, concretizando-se assim uma história que começou em 2005 quando o Cineclube de Terror de Lisboa (CTLX) programou “Ossos” num ciclo que realizou na Cinemateca e que viria a levar à criação do Festival. “Na altura recebemos emails e as pessoas achavam que éramos atrasados mentais. Agora que Pedro Costa venceu o Festival de Locarno, as marcas do cinema zombie – não o de Romero mas de Tourneur – continuam a prevalecer e a marcar a estética da obra daquele que é, provavelmente, o cineasta português mais importante no mundo“, disse João Monteiro sobre a escolha de Costa para destaque.

Assim, Pedro Costa é o convidado da secção Quarto Perdido, este ano intitulada “Pedro Costa – Filmar as Trevas”. Costa abordará em conversa a sua afinidade com o universo do terror e do fantástico, sendo exibidos os filmes Ne Change Rien (2009) e Cavalo Dinheiro (2014).

Serviço de Quarto com (pelo menos) 5 obras no feminino

Emily Mortimer em “Relic”

Nas longas-metragens, a equipa do MOTELX frisou a presença de cinco obras de realizadoras na sua programação, que ainda não está fechada, destacando-se Saint Maud” de Rose Glass; “Relic”, de Natalie Erika James;  e “The Trouble with Being Born”, de Sandra Wollner.

Neste Serviço de Quarto, encontraremos ainda o regresso de Takashi Miike com First Love, e “Scream, Queen! My Nightmare on Elm Street”, um documentário sobre Mark Patton e o seu papel enquanto primeiro Scream Queen masculino em “A Nightmare on Elm Street 2: Freddy’s Revenge”, hoje um clássico do cinema LGBT.

No que diz respeito a curtas-metragens, existe a novidade de trabalhos experimentais (Bertrand Mandico nas escolhas), e enquanto se espera que termine o prazo de 2 de agosto para se anunciarem as obras portuguesas nos certame, há já 20 curtas internacionais selecionadas para exibição.

Warm-Up MOTELX

Logo no dia 3 de setembro, o Convento de São Pedro de Alcântara acolhe A Mulher-Sem-Cabeça, uma performance/concerto a partir de um texto de Gonçalo M. Tavares com ilustrações ao vivo de António Jorge Gonçalves e voz do MC Papillon. Na noite seguinte, o Espaço Brotéria é palco de um jantar encenado a partir de um texto de Fernando Pessoa“Um Jantar Muito Original” (do semi-heterónimo Alexander Search). Um projeto que recria o lado mais negro de Pessoa e que conta com supervisão artística de Albano Jerónimo e a estreia em encenação de duas estudantes de teatro e cinema, Matilde Carvalho e Rita Poças.

Por fim, no dia 5 há uma sessão de cinema ao ar livre no Largo Trindade Coelho, com filme a anunciar brevemente.

Segundo a organização, todos estes eventos irão respeitar todas as normas de segurança e são resultado de uma parceria com a Santa Casa da Misericórdia de Lisboa.

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