Longos serão os dias e as noites no Doclisboa’19

(Fotos: Divulgação)

303 filmes, 39 estreias mundiais e 45 estreias internacionais no Doclisboa 2019

É com Longa Noite de Eloy Enciso que arranca oficialmente hoje a 17ª edição do Doclisboa, a última sobre o comando de Cíntia Gil, que brevemente vai assumir as lides do Sheffield Doc/Fest.

Estreado em Locarno, Longa Noite marca o regresso de Enciso ao certame depois de em 2012 ter apresentado Arraianos. Numa abordagem etnográfica misturada com drama, o seu novo filme – repleto de lirismo e poesia visual – é uma viagem às raizes do fascismo e às feridas da Guerra Civil Espanhola, tema que nos últimos anos tem sido fortemente abordado no cinema espanhol, com filmes como Enquanto Dura a Guerra, Trinchera Infinita e o documentário O Silêncio dos Outros, que também passou pelo Doclisboa, a remexerem na ferida histórica. É também um filme em Galego, trabalhado com uma larga maioria de não-atores e que num registo atual que visita o passado através de textos literários de nomes como Ramón de Valenzuela, Max Aub, Jenaro Marinhas del Valle ou Alfonso Sastre. Um aperitivo de luxo para a abertura do festival.

Como grande destaque no evento, que se prolonga até ao dia 27 de outubro, temos a retrospetiva Ascensão e Queda do Muro – O Cinema da Alemanha de Leste, e a dedicada à realizadora libanesa Jocelyne Saab.

Dos 44 filmes nacionais nesta edição do Doclisboa, 11 estão na Competição Nacional, com particular destaque para Raposa de Leonor Noivo e Prazer, Camaradas! de José Filipe Costa. Este último, que fala dos sonhos que o 25 de abril trouxe e que coloca, na atualidade, “atores” a tentarem vivê-los num regime cooperativista, dá um especial destaque à revolução feminista que não aconteceu na época.

O feminismo é, aliás, um tema transversal em toda a programação do festival, estando marcadamente vincado em documentários – exibidos na Heart Beat – como Oh Les Filles, sobre as “rockeiras” gaulesas, e Delphine e Carole, uma viagem de Callisto McNulty ao compromisso com a causa das falecidas Delphine Seyrig e Carole Roussopoulos.

Ainda na Heart Beat, é impossível não mencionar o filme sobre o lendário guitarrista Zé Pedro, uma das principais figuras do rock’n’roll português. Zé Pedro Rock’n’Roll, realizado por Diogo Varela Silva, vai ter a sua estreia mundial no Doclisboa e utiliza arquivos públicos e pessoais para ilustrar a história de Zé Pedro, a história dos Xutos e Pontapés, e a própria história do rock em Portugal.

Ainda em registo nacional, o Doclisboa estreia The Bridge, de Paulo Raposo, um retrato de um grupo de artistas que se propôs à criação de uma intervenção sonora numa pequena ponte sobre o rio Andelle (Normandia); Ensaio de Amor, de Zé G. Pires, que acompanha o percurso dos ensaios ao palco dos atores do Grupo Crinabel; e The Sound of Masks, de Sara Gouveia, filme guiado por Atanásio Nyusi, numa viagem que cruza o passado colonial de Moçambique com o presente do país e que nos apresenta a dança mapico.

Na Competição Internacional estão 14 filmes provenientes de 11 territórios distintos, e na secção Riscos, destaque para uma homenagem a Barbara Hammer, e a exibição dos últimos filmes de Alain Cavalier e James Benning. 

Uma última nota para a Nebulae, um espaço de networking no Doclisboa que engloba um conjunto de actividades direcionadas para indústria, e diversos eventos além filmes – onde se encontram várias festas.

A programação do festival pode ser consultada aqui.

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