O festival de animação a decorrer em Lisboa terá início da sua mostra competitiva nesta segunda-feira. Dez filmes compõem a sessão – com a França, com quatro títulos, a ser o país mais representado. Um destes trabalhos será exibido hoje, “Une Vie de Chat”. Lançado em 2010, teve uma carreira elogiadíssima que culminou com a nomeação ao Oscar de Melhor Animação em 2011 (perdeu para “Rango”). Obra de estreia de Jean Loup Felicioli e Alain Gagnol, narra a história do gato Dino, que durante o dia vivo com Zoé, a filha da comissária de polícia Jeanne e durante a noite vagueia pelos telhados de Paris na companhia do ladrão Nico.
Da América do Sul vem “Selkirk, el verdadero Robinson Crusoé” – uma co-produção entre Uruguai, Argentina e Chile. O realizador Walter Tournier já tem vários trabalhos importantes no universo da animação e conta aqui a história de um pirata abandonado pelo capitão do navio e sua tripulação numa ilha deserta em função do seu comportamento egoísta. As novas circunstâncias vão obriga-lo a relativizar seu desejo de vingança e descobrir uma nova perspetiva da vida. Selkirk foi a personagem real que inspirou Daniel Dafoe na composição do seu famoso clássico.
O espanhol “O Apóstolo”, de Fernando Cortizo, completa a mostra competitiva deste dia. A obra narra história de um fugitivo que vai parar uma aldeia aparentemente deserta nas proximidades de Santiago de Compostela à procura de um tesouro – quando começa a perceber que os aparentemente inofensivos idosos que ainda restam na terra procuram almas para entregar à morte – a viver sob uma maldição de 600 anos. O filme passou pela edição recém-encerrada do Fantasporto.
Melhor do mundo
Duas outras longa-metragens merecem ainda destaque – uma da mostra “Best of the World” e outra da seção Galiza. “George The Hedgehog”, da Polónia, fala sobre a vida de um mulherengo, fã de skate e de bebida, que é clonado por um cientista maluco. Ocorre que o “novo” George torna-se famoso e ele então tem que lutar pela sua identidade e por sua amada Jola.
De natureza mais simbólica “De Profundis”, de Miquelanxo Prado, narra uma história de uma mulher que vive numa casa no meio do mar, onde toca violoncelo e espera pelo seu amante, um pintor que um dia mergulhou para descobrir as riquezas do fundo do mar sem saber se a voltaria ver.
Quatro dias de festival
O Monstra já exibiu até aqui um grande clássico (“Akira”), duas estreias mundiais, filmes de terror e um vasto leque de curtas-metragens – especialmente do Brasil, país homenageado este ano. No último domingo (10/03) foi a vez dos mais pequenos aparecerem em grande número no São Jorge para exibição de diversos filmes para a sua faixa etária.
Entre estes, o destaque foi a longa-metragem brasileira “O Grilo Feliz e Os Insetos Gigantes”. Demonstrando excelente produção visual e musical, a obra utiliza diversos tipos de insetos para simbolizar diferentes extratos sociais/comportamentais – unindo fantasia e realismo social. Embora no todo tenha um saldo positivo, o filme pecou, no entanto, por uma história mal construída, com excessivas ramificações e sem um foco definido.

