Forum da Berlinale apresenta-se com uma das edições “mais políticas dos últimos anos”

(Fotos: Divulgação)

Um dia depois de serem anunciados os títulos das secções Berlinale Special, Panorama, Clássicos e Generation, coube a vez ao Forum e Forum Expandend apresentarem as linhas-mestras da programação na 56.ª edição do Festival de Berlim.

Consolidando-se como a secção mais politicamente interventiva e esteticamente livre do festival, a seleção deste ano aposta num cinema que confronta o presente, com temas como o colonialismo, a violência estrutural, a repressão política, a memória histórica e as formas alternativas de comunidade a marcarem o pulsar do mundo cinematográfico. A direção da secção sublinha tratar-se de uma das edições “mais políticas dos últimos anos”.

As produções em língua portuguesa ocupam um lugar de relevo. Do Brasil chegam dois títulos distintos, mas complementares: Floresta do fim do mundo, de Felipe M. Bragança e Denilson Baniwa, cruza experiência urbana e cosmologia indígena, acompanhando uma mulher indígena isolada num apartamento citadino que, nos sonhos, comunica com uma floresta ameaçada. Já I Built a Rocket Imagining Your Arrival, estreia de Janaína Marques, propõe uma viagem sensorial e afetiva entre mãe e filha, articulando memória, imaginação e identidade queer.

Portugal surge associado a dois projetos na Forum: Filme Pin, de María Rojas Arias e Andrés Jurado, coprodução Colômbia–Portugal, transforma uma coleção de pins de solidariedade num arquivo espectral da resistência internacional ao regime fascista e colonial português. Também em coprodução com Portugal, Piedras preciosas, de Simón Vélez, acompanha um trabalhador agrícola envolvido no roubo de uma esmeralda entre França e Colômbia, num filme que oscila entre a crítica social e a fábula moral.

Black Lions – Roman Wolves

Entre os nomes mais consagrados do cinema mundial, destaca-se Haile Gerima com Black Lions – Roman Wolves, um documentário monumental que revisita décadas de colonialismo italiano na Etiópia, combinando arquivo, testemunhos e resistência. James Benning regressa com Eight Bridges, uma reflexão sobre a paisagem, o tempo e as infra-estruturas, a partir de 8 pontes norte-americanas, enquanto Rithy Panh apresenta Nous sommes les fruits de la forêt (2025), observação incisiva sobre comunidades indígenas no Camboja confrontadas com a mercantilização ambiental.

No campo da ficção, o cinema de género assume forte presença política. Joko Anwar apresenta Ghost in the Cell, comédia de terror ambientada numa prisão, enquanto Chung Ji-young regressa com My Name, drama sobre identidade e violência numa Coreia do Sul em transformação. Entre as estreias mais aguardadas contam-se ainda AnyMart, de Yusuke Iwasaki, que transforma um supermercado japonês num microcosmo social de horror quotidiano, e Liebhaberinnen, de Koxi, uma adaptação contemporânea da obra da dramaturga austríaca Elfriede Jelinek. A esta linha junta-se Everything Else Is Noise, de Nicolás Pereda, e Let There Be Whistleblowers (2005), de Ken Jacobs e Flo Jacobs.

Aqui fica a lista completa de títulos divulgados pela Forum e Forum Expanded.

Forum – Programa Principal

AnyMart — Yusuke Iwasaki — Japão
Auslandsreise (Foreign Travel) — Ted Fendt — Alemanha
Black Lions – Roman Wolves — Haile Gerima — Etiópia / EUA
Cesarean Weekend — Mohammad Schirvani — Irão
Chronos – Fluss der Zeit (Chronos – Flow of Time) — Volker Koepp — Alemanha
Crocodile — Pietra Brettkelly / The Critics — Nova Zelândia / Nigéria
De capul nostru (On Our Own) — Tudor Cristian Jurgiu — Roménia / Itália
Doggerland — Kim Ekberg — Suécia
Effondrement (Collapse) — Anat Even — França
Eight Bridges — James Benning — EUA
Einar Schleef – Ich habe kein Deutschland gefunden — Sandra Prechtel — Alemanha
Everything Else Is Noise — Nicolás Pereda — México / Alemanha / Canadá
Flying Tigers — Madhusree Dutta — Alemanha / Índia
Forest up in the Mountain — Sofia Bordenave — Argentina
Ghost in the Cell — Joko Anwar — Indonésia
Hear the Yellow — Banu Sıvacı — Turquia
I Built a Rocket Imagining Your Arrival — Janaína Marques — Brasil
If Pigeons Turned to Gold — Pepa Lubojacki — Chéquia / Eslováquia
Joy Boy: A Tribute to Julius Eastman — Mawena Yehouessi et al. — Bélgica
Liebhaberinnen (Women as Lovers) — Koxi — Alemanha / Luxemburgo
Lust — Ralitza Petrova — Bulgária / Dinamarca / Suécia
Masayume — Nao Yoshigai — Japão
Members of the Problematic Family — R. Gowtham — Índia
My Name — Chung Ji-young — Coreia do Sul
Nous sommes les fruits de la forêt (2025) — Rithy Panh — Camboja / França
Panda — Xinyang Zhang — Singapura / Hong Kong, China
Piedras preciosas — Simón Vélez — Colômbia / Portugal
Prénoms (Given Names) — Nurith Aviv — França
Szenario (Scenario) — Marie Wilke — Alemanha
The Day of Wrath: Tales from Tripoli — Rania Rafei — Líbano / Arábia Saudita / Qatar
The Moths & the Flame — Kevin Contento — EUA
Was an Empfindsamkeit bleibt (Sometimes, I Imagine Them All at a Party) — Daniela Magnani Hüller — Alemanha


Forum Expanded

A Circle as the Center of the Whole — Utkarsh — EUA / Índia
Born of the Yam — Mark Chua, Lam Li Shuen — Singapura
Butterfly Stories: Malaise II — Laurence Favre — Suíça / Alemanha
Casting for a Film, Ihsan’s Diary — Lamia Joreige — Líbano
El León — Diana Bustamante — Colômbia
Exprmntl 4 Knokke (1968) — Claudia von Alemann, Reinold E. Thiel — Alemanha
Fanfictie: Volcanology (2025) — Riar Rizaldi — Indonésia / Itália
Filme Pin — María Rojas Arias, Andrés Jurado — Colômbia / Portugal
Film No. 4 (Bottoms) (1966) — Yoko Ono — EUA
Floresta do fim do mundo — Felipe M. Bragança, Denilson Baniwa — Brasil
Forever…Forever — Johann Lurf — Áustria / França
Fruits of Despair — Nima Nassaj — Irão
İki Laborantın Yorgun Saatleri — Burak Çevik — Turquia / Alemanha / Reino Unido / Croácia
Industries of Denial, Stage 10 (2025) — Angela Melitopoulos, Kerstin Schroedinger — Alemanha / Grécia / Finlândia
Katabasis — Martin Moolhuijsen — Alemanha / Itália
Land Invaders — Cassandra Gardiner, Juan Mateo Menendez — EUA
Let There Be Whistleblowers (2005) — Ken Jacobs, Flo Jacobs — EUA
Metanoia — Bigum + Björge — Alemanha / Finlândia
MUSCLE (2025) — Karimah Ashadu — Itália / Reino Unido / EUA / Alemanha / Nigéria
Narrative (2025) — Anocha Suwichakornpong — Tailândia / Coreia do Sul / Japão
Nursery Rhymes. (Holy) Water (2025) — Belinda Kazeem-Kamiński — Áustria / Itália
Oghneyet Touha Al Hazina (1972) — Atteyat Al Abnoudy — Egipto
Phi Pattana (In Sum) — Komtouch Napattaloong — Tailândia
Pink Schlemmer (2025) — Oliver Husain — Canadá
The Dislocation of Amber (1975) — Hussein Shariffe — Sudão
The Recce — Daniel Mann — Reino Unido / Alemanha
The sun that fell into the water (2025) — Lena Kocutar — Alemanha / Eslovénia
This Desirable Device — Mina Simendić — Sérvia / Alemanha
This Suffocating Now — Vika Kirchenbauer — Alemanha
Uchronia — Fil Ieropoulos — Grécia / Países Baixos
Warnungen an die ferne Zukunft (2025) — Juliane Jaschnow, Stefanie Schroeder — Alemanha
We Deh Here (2025) — Maybelle Peters — Reino Unido
Yurugu – Invisible Lines — Petna Ndaliko Katondolo, Laurent Van Lancker — RDC / Bélgica / EUA

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