Numa edição marcada por uma retrospetiva dedicada a Otar Iosseliani, uma homenagem ao realizador polaco Wojciech Jerzy Has, e um olhar atento – na secção EUROPE, NOW! – à obra completa de Alice Nellis e Christian Petzold, o Bergamo Film Meeting (BFM) atribuiu os seus prémios principais na competição internacional a “Gina” (Melhor filme) e “Winter in Sokcho” (Melhor Realização).
Assinado por Ulrike Kofler, “Gina” acompanha três gerações de mulheres marcadas pela negligência familiar, tendo a personagem-título, de apenas nove anos, de cuidar dos irmãos mais novos e de uma mãe solteira, que está à espera do quarto filho. Ele gostaria de ter uma família sólida, uma figura paterna e uma avó extremosa, mas, em vez disso, ele tem de lutar contra a pobreza, abandono e os serviços sociais. Já “Winter in Sokcho”, do franco-japonês Koya Kamura, que adapta o livro homónimo de Elisa Shua Dusapin, envolve o espectador numa narrativa onde questões sobre a identidade e o abandono são potenciadas pela chegada a uma pacata cidade sul-coreana de um artista francês (Roschdy Zem).
O júri internacional, composto por Dániel Hevér (realizador), Andrea Inzerillo (diretor artístico do Sicilia Queer Filmfest) e Tiina Lokk (diretora artística do Black Nights Film Festival Tallinn), deu ainda o segundo prémio do festival a “Oro Amargo“, de Juan Olea, e o terceiro prémio a “Lazy Girls“, de Karim Dridi.
Nos documentários, na competição Visti da Vicino (Close-up) do Bergamo Film Meeting, “Mutterland“, de Miriam Pucitta, foi o vencedor, enquanto o Prémio do Júri CGIL – La Sortie de l’Usine, atribuído pelos delegados sindicais da CGIL Bergamo ao documentário que melhor aborda questões relacionadas com o mundo do trabalho e com as questões sociais, foi para “Dear Beautiful Beloved”, do realizador ucraniano Juri Rechinsky. Este júri deu ainda uma menção honrosa a “Personale“, de Carmen Trocker.
Durante a 43ª edição do BFM, que termina este domingo, 16 de março, foram exibidos mais de 160 filmes.

