Cannes: Semana da Crítica revela a programação

(Fotos: Divulgação)

Foi hoje apresentada a programação final da 60ª edição da Semana da Crítica do Festival de Cannes, que vai ser aberta com o filme “Robuste(Robust), de Constance Meyer. Gérard Depardieu é o protagonista, fazendo de si mesmo e lidando com o temperamento de uma jovem (Deborah Lukumuena de “Divinas“) que perturba a sua vida solitária e instável.

Nas sessões especiais teremos quatro filmes, a começar pelo já mencionado anteriormenteLes Amours d’Anaïs” (Anais in Love), filme de comemoração dos 60 anos da Semana da Crítica.

Petite Nature (Softie)

Junta-se a ele “Petite Nature (Softie)“, assinado por Samuel Theis, o correalizador de “Party Girl“, que venceu a Caméra d’or de 2014. A obra segue Johnny, um miúdo de 10 anos criado numa área difícil de Forbach, cuja infância foi roubada por uma mãe amorosa, mas infantil, o seu irmão, o dever de cuidar da sua irmã mais nova e o seu sonho de crescer fora deste ambiente. Ele estabelece uma relação próxima com o seu professor, interpretado por Antoine Reinartz, que abre as portas para uma vida melhor.

Une jeune fille qui va bien

De regresso à Semana da Crítica, depois de exibir a curta-metragem “Bonne figure” (Smile) na cerimónia de encerramento da 55ª edição do certame, Sandrine Kiberlain (Mon Bébé) vai apresentar “Une jeune fille qui va bien“, a sua estreia na realização de longas-metragens.

Trata-se de um drama histórico ambientado no início da década de 1940, em Paris, onde uma jovem judia, Irene (Rebecca Marder), sonha tornar-se atriz durante a ocupação nazi. India Hair, André Marcon e Anthony Bajon fazem também parte do elenco.

“Bruno Reidal”

Finalmente, ainda nas sessões especiais, encontramos “Bruno Reidal” (Bruno Reidal, Confessions of a Murderer). Vincent Le Port leva-nos a “uma análise afiada e desinibida da implacável lógica do crime, a forma como o desejo surge e como a fantasia da morte é entrelaçado com o da carne“.

Inspirado numa notícia de 1905, este primeiro filme é descrito como uma “jornada pelas questões morais da sexualidade, religião e cometer um crime, sem nunca emitir um julgamento“.

Competição

São 7 as longas-metragens e 10 as curtas que estão a concurso na 60ª edição da Semana da Crítica.

Nas curtas concorrem: “Brutalia, Days of Labour“, do grego Manolis Mavris; “Duo Li” (Lili Alone), da chinesa Zou Jing; “Fang Ke(An Invitation), dos também chineses Hao Zhao & Yeung Tung; “Inherent“, do dinamarquês Nicolai G.H. Johansen; “Interfon15” (Intercom 15), do romeno Andrei Epure; “Ma Shelo Nishbar” (If It Ain’t Broke), da israelita Elinor Nechemya; “Noir-soleil“, da francesa Marie Larrivé; “Safe“, do norte-americano Ian Barling; “Soldat Noir“, do francês Jimmy Laporal-Trésor; e “Über Wasser” (On Solid Ground), da suíça Jela Hasler.

Libertad

Passando mais detalhadamente para as longas, comecemos por “Libertad“, onde Clara Roquet segue duas jovens – Nora e Libertad – que ficam amigas num verão, mas que pertencem a classes sociais distintas. Libertad é a filha de uma empregado de Nora, o que significa crescer marcada pelo seu status social.

Porém, as duas vão tentar libertar-se de tudo para não repetir os padrões de vida das suas mães.

The Gravedigger’s Wife

É da Somália que vem “The Gravedigger’s Wife“, de Khadar Ayderus Ahmed, um conto ambientado no Djibouti, onde um homem, Guled, para salvar a sua esposa, Nasra, de uma doença renal, terá de atravessar o deserto, enfrentar a sua família e os entes queridos.

Uma história de sobrevivência que transforma uma provação num testamento de amor.

Olga

Olga“, a primeira longa-metragem do francês Elie Grappe, passa-se entre dois países e conta com duas personagens unidas pelo amor, mas dilaceradas pelos compromissos.

De um lado uma mãe, obrigada a cumprir os seus deveres de jornalista na Ucrânia.

Do outro a filha, Olga, uma ginasta de 15 anos com compromissos físicos. Exilada na Suíça, ela treina na seleção nacional. Quando o Euromaidan começa em Kiev,com a revolução, a política entra na sua vida.

Piccolo Corpo

A italiana Laura Samani leva à Semana da Crítica “Piccolo Corpo“, a sua primeira longa-metragem.

Esta é história de luta de uma mãe, em 1900, a quem é negado o enterro religioso do filho natimorto por não ter sido batizado.

Celeste Cescutti e Ondina Quadri fazem parte do elenco

“Rien à Foutre”

Depois de “Castle to Castle“, exibido em Locarno (2018), Julie Lecoustre e Emmanuel Marre concorrem na barra paralela do Festival de Cannes com “Rien à Foutre” (Zero Fucks Dado).

Esta produção franco-belga é centrada numa jovem presa a um trabalho difícil e miserável de comissária de bordo numa companhia aérea low-cost.

Adèle Exarchopoulos (A Vida de Adèle) é a protagonista.

Amparo

Da Colômbia chega “Amparo“, primeiro filme de Simón Mesa Soto, vencedor da Palma de Ouro pela curta-metragem “Leidi“, em 2014.

O projeto remete-nos a uma viagem aos anos 90, tendo como pano de fundo o conflito entre o Exército e as FARC.

Uma mãe, Amparo, cujo filho foi sequestrado para se alistar no exército, fará de tudo para recuperá-lo.

Feathers”

Finalmente, “Feathers” chega do Egipto e é realizado por Omar El Zohairy.

Descrito pelo certame com um projeto com uma “mise-en-scène inacreditavelmente ousada, para um tópico igualmente alucinante“, o filme começa com um truque de magia que corre mal numa festa de aniversário, transformando um pai de família numa galinha. Uma nova vida começa para a sua esposa, enquanto ela se empenha numa demanda pela burocracia kafkiana: sem dizer que o marido está vivo ou morto, esta mulher deve fazer o que puder para que ele retome os seus deveres sociais de marido e pai.

Filme de Encerramento

Une histoire d’amour et de désir

Será com um filme da cineasta tunisina Leyla Bouzid, “Une histoire d’amour et de désir“, que vai encerrar a Semana da Crítica, um projeto onde a cultura árabe está de volta ao primeiro plano através da literatura e da poesia.

Zbeida Belhajamor é uma jovem estudante tunisina que foi para Paris estudar, descobrindo com Sami Outalbali, um jovem tímido, a poesia de amor árabe que o leva a enfrentar as suas raízes e a sua própria visão do amor.

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