Embora mais doce que um Palmier coberto, Meu Bebé de Lisa Azuelos é um filme sentido e com humor sobre a maternidade e dedicação aos filhos que implode com boas prestações de Sandrine Kiberlain e da jovem Thaïs Allessandrin.

Dez anos depois de Lol (que teve direito a remake americano), Lisa Azuelos regressa com ternura e a mesma ingenuidade propositada aos relacionamentos mãe-filha com Mon Bébé, filme que venceu o festival de Alps d’Huez e que viu ainda Sandrine Kiberlain (Quando se tem 17 anos) ser consagrada como a melhor atriz.
No filme ela é Héloïse, mãe de três filhos. Jade, a sua “mais nova”, o “seu bebé”, completou dezoito anos e logo deixará o ninho para continuar os estudos no Canadá. Esta é uma crónica afetuosa e humorística de uma mulher que chega a um ponto delicado da sua existência, um período de viragem, isto após uma vida dedicada aos seus rebentos.
Compreenda-se que por aqui quase tudo é doce na vida desta família, pese embora o pai das crianças (Yvan Attal) seja uma figura completamente ausente, quer na educação dos jovens, quer no apoio monetário ao seu crescimento. Kiberlain assume tudo e age com o “seu bebé” entre a figura de mãe, de pai, de irmã e melhor amiga, como se vê quando a safa após ela ser apanhada a copiar num exame. Por outro lado, todas as recordações familiares são boas: a relação entre irmãos é saudável – embora com alguma ciumeira pela atenção que “o bebé” tem por parte da mãe – e até as personagens secundárias que se cruzam na vida destas personagens, como uma “one night stand” de Kiberlain ou o namorado da filha, que é também o melhor amigo do irmão dela, são “uns doces” ao serviço de um guião que se quer forçosamente “feel good” e que viaja constantemente entre passado e presente através de colagens clichê.
E mesmo os problemas que aparecem pelo caminho são resolvidos com mais ou menor rapidez, venham eles de uma professora que apanha a jovem a cabular, um polícia que as vai multar quando aceleram para um exame, um inspetor de saúde que visita o restaurante de Héloïse, ou um problema de saúde da figura do avô.
É filme que se quer e se entrega com blandícia, sem verdadeiros conflitos; um conto quase fabular de crescimento num circuito fechado, compacto e claramente privilegiado onde se nota que Azuelos, tal como a personagem de Kiberlain, tenta armazenar todas as boas experiências da maternidade e da saída dos filhos das suas “asas”.

Jorge Pereira

