‘Cine Holliúdy’ 2 – A Chibata Sideral: Fenómeno de uma aldeia de dimensões continentais

(Fotos: Divulgação)

Celebração da resistência das salas de cinema, o filme A chibata sideral, a parte dois do fenómeno popular regional “Cine Holliúdy“, que estreia nacionalmente no Brasil nesta quinta-feira, dá ao realizador cearense Halder Gomes mais do que cacife mercadológico, dado o sucesso do filme interior, de 2013. Esse regresso de seu herói – Francisgleydisson, dono de um projetor que exibe filmes Brasil adentro – celebra a dimensão autoral do realizador de 52 anos em seu olhar (reiterativo) sobre formas de sobrevivência da parcela mais excluída das massas. No fim de semana passada, a longa metragem foi lançada só no Ceará, estado natal do cineasta, e, só lá, somou 41 mil pagantes em três dias, desafiando a hegemonia de Captain Marvel nas salas.

Francisgleydisson é um herói tipicamente brasileiro, que não usa cueca por cima da calça, não anda espalhafatoso e não se mascara, tendo sonhos e lutando contra todas as adversidades para poder realiza-los, com sua criatividade. Esse é o cotidiano do brasileiro“, diz Halder. “O Brasil que me inspirou é um Brasil popular, criativo e plural. Francisgleydisson é um herói do cotidiano desse Brasil, com grande senso de humor pra tornar mais suave a briga do “um leão por dia”. Francisgleydisson e sua trupe representam a comédia brasileira “sem filtros”, situada no microcosmo de uma regionalidade universal pela simplicidade dos seus sentimentos“.


Com esse bom resultado, Halder vai estar completando um ciclo de peripécias cinéfilas que fizeram dele o Spielberg de Fortaleza (a capital do Ceará). Nos últimos seis anos, ele emplacou três sucessos que desafiam as leis do mercado. Primeiro, fez uma comédia de orçamento minúsculo, falada em “cearencês” (o dialeto de gírias regionais de seu estado), despertar o interesse do país todo, vendendo meio milhão de entradas. Somou cifras similares em 2016 com O Shaolin do Sertão, brincando com o legado das artes marciais nas telas. E, no fim de 2017, viu a comédia Os parças surpreender os exibidores ao quebrar a barreira de 1 milhão de ingressos vendidos.

Agora, ele volta com Francisgleydison (o hilário ator Edmilson Filho), que apela para uma guerra nas estrelas a fim de encarar a concorrência com a TV, agora nos anos 1980. “A época que a história ocorre nesta parte 2 é um grande diferencial, pois agora a TV não está mais somente na casa de uns poucos privilegiados, mas sim acessível à população inteira. Fechar de vez o cinema é fato desta vez“, explica Halder. “Mas Francisgleydisson recusa deixar o cinema e tenta se reinventar como cineasta dirigindo filmes populares, numa forma de resistência movida pela paixão. A série da Globo dialoga não somente com o universo do primeiro “Cine Holliúdy”, mas também com todo universo de “Cine Holliúdy 2” e de “O Shaolin do Sertão”. Francisgleydisson e seus companheiros, assim como nos filmes, transitam pelo universo do realismo fantástico. Porém, pelo facto de a série mais extensa, os episódios são inspirados em referências dos géneros de cinema, em forma temática e estética“.

Em paralelo ao filme novo, a marca “Cine Holliúdy” vai também para a TV, em forma de série, na TV Globo. “O filme brasileiro só tem uma chance de fazer sucesso: criar um sentimento de pertencimento“, diz Halder. “As pessoas precisam se ver nos filmes“.

Últimas