Jean-François Richet: a marca francesa do cinema de ação

(Fotos: Divulgação)

Às voltas com novos projetos, depois que o thriller “Twice” foi cancelado, o cineasta parisiense de 53 anos arrastou milhares de espectadores aos cinemas franceses com O Imperador de Paris. Protagonizado por Vincent Cassel, ator assinatura do cineasta, esta sombria aventura sobre o ladrão (transformado em investigador) Vidocq estreou em Portugal em novembro e chega só agora ao Brasil via streaming, na plataforma digital Looke. Na entrevista a seguir, o realizador, referência de ação no cinema europeu, importado pelo cinema americano para a refilmagem de “Assalto à 13.ª Esquadra” (de 2005), fala ao C7nema sobre sua estética frenética, tudo num encontro organizado pela Unifrance.

Qual é o maior desafio de fazer um cinema de acção e aventura na atual indústria audiovisual francesa? Existem preconceitos contra o género?

Fora comédias, os outros “géneros” são mais difíceis de viabilizar financeiramente em França. Eu nunca me questiono se isso é fácil ou não. Estou a tentar desenvolver temas que me interessam, sem pensar em “género”.

Qual é o seu atual projeto no cinema francês?

Não sei ainda qual será o meu próximo filme. Raramente o que pensamos é feito no ato. Disse sim a dois projetos de filmes nos Estados Unidos: um é western e o outro é um thriller de ação. Mas o caminho é longo antes de as ideias saírem do papel. É preciso termos atores e, depois, financiamentos. Também trabalho com Eric Besnard, que escreveu “O Imperador de Paris”, num filme sobre a solidão do poder, mas ainda é muito cedo para falar sobre isso.

Como é a sua parceria com Vincent Cassel e que tipo de anti-heroísmo ele encarnou em “Mesrine” e “O Imperador de Paris“? Qual é o lugar do heroísmo neste mundo em que vivemos hoje?

Fiz cinco filmes com o Vincent e funciona bem entre nós. Nunca abordei personagens em termos de “heróis ou anti-heróis”. Isso iria congelá-los muito.


O Imperador de Paris

Blood Father – O Protetor” (“Herança de Sangue” no Brasil) é um filme sublime. O que é a experiência, ali, com o Mel Gibson e o trabalho com Ethan Hawke, no remake de Assalto à 13.ª Esquadra, de John Carpenter, ensinaram a você sobre a dinâmica de produção no cinema americano?

Obrigado pela menção a ‘Blood Father‘. Gostaria de voltar a trabalhar com o Mel Gibson e o Ethan Hawke. Só precisamos do guião certo. Acho que a experiência de trabalhar em filmes americanos ensinou-me a ter mais rigor. Eu era mais caótico antes de ‘Assalto’.

Como estamos em tempo de quarentena… que filmes você recomendaria a quem está em casa?

Estive a rever o “Napoleão” do Abel Gance, que é provavelmente o meu filme favorito. Revi “Aguenta-te, Canalha!” (“Giù la testa“; no Brasil, “Quando Explode a Vingança“), de Sergio Leone”; revi a saga de Rocky Balboa, e fui ao “The Duelists” (“O Duelo”), de Ridley Scott. Aconselho todos esses filmes.

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