Responsável por uma das séries de maior sucesso da TV brasileira em 2019, Cine Holliúdy, uma comédia derivada de uma franquia de cinema transformada em fenómeno de bilheteiras da noite para o dia, Halder Gomes, diretor cearense de 52 anos, agora atraca o seu talento e a sua inquietação em Portugal, onde prepara um estudo sobre artes plásticas e (des)amor.
O seu novo projeto, já em campo, é Vermelho Monet, um F for Fake do querer. As filmagens, na capital portuguesa, começam no dia 23 de setembro. Será uma coprodução entre as cias. ATC/GLAZ/UKBAR (Portugal). Nele, o protagonismo cabe a um pintor clássico – Johannes Van Almeida, papel de Chico Diaz, que acaba de filmar O Ano da Morte de Ricardo Reis no Velho Mundo.
Já no fim de sua vida, Johannes deixa a prisão, após cumprir pena por falsificações, e tenta recomeçar a sua rotina em Lisboa, em busca da inspiração para a sua obra-prima autoral. A tragédia bate à porta quando ressurge na sua vida Antoinette (Maria Fernanda Cândido), uma marchand de arte e coinnosseur. Johannes terá ainda um encontro com Florence Lizz (Samantha Heck Müller), uma atriz internacional em crise diante do desafio de fazer o papel mais complexo de sua carreira. A convergência dele com essas duas mulheres pode mudar o colorido de seus dias. Realizador do blockbuster Os Parças (2017), Halder conversa com o C7nema da sua nova aquarela.
Quem é o “herói” dessa nova jornada e o que ele ambiciona?
É um pintor clássico, que poderia ter sido um dos grandes em outras épocas. Por sua arte ser considerada “obsoleta”, seu talento sempre foi usado para falsificações.
Halder, o que é essa sua incursão no universo das artes plásticas? Vai haver espaço para o humor nesse projeto?
A pintura é um universo que me fascina desde a infância. Surgiu junto ao mundo cinéfilo de Cine Holliúdy, no interior do Ceará, nos anos 70, quando eu via nos livros os quadros de artistas que, ao longo dos milênios, representaram nossa existência, até o surgimento da fotografia. Aqueles quadros, além do cineminha da cidade, eram uma janela para o mundo. Desde então, nunca viajei para um lugar que não fosse ver um museu e pinturas. Recentemente passei quatro semanas em Paris, trabalhando no guião nos cafés por onde passaram Picasso, Modigliani, Lautrec, Suzane Valladon, Berthe Morisot, Monet… Sem contar com as dezenas de museus visitados e os milhares de quadros vistos. Talvez seja o universo a que dedico mais tempo e estudo, mais do que qualquer outro. Sem falar que pinto desde criança. Por ser uma história muito dramática e pictórica, o humor surge apenas em uma cena como “alívio cômico”. Mas é um momento de humor específico, que fala desse universo.
O que o Ceará deu-te em termos de cultura cinéfila e o que o teu cinema devolveu ao Ceará?
O Ceará e os meus colegas e amigos sempre me inspiram. Convivemos bastante, os nossos cinemas cruzam-se entre conversas, equipas, atores, pós-produção, etc…Nos retroalimentamos da diversidade que é o nosso cinema. Creio que o tenho devolvido com o meu cinema, em mais especial, é a prova que é possível romper paradigmas se acreditar na nossa arte e artistas.

