Presente na 83ª edição do Festival de Veneza para receber o Leão de Ouro de Carreira, George Clooney aproveitou a habitual conferência de imprensa no certame para abordar algumas das questões mais tensas do momento, abordando tópicos como a liberdade de expressão, a inteligência artificial e a possível fusão entre a Paramount e a Warner Bros.
Diretamente confrontado sobre a polémica que envolve Mark Ruffalo, acusado pela Paramount de recorrer a “tropos antissemitas” depois de criticar a tentativa de fusão entre a Paramount e a Warner Bros. e as ligações de Larry e David Ellison — respetivamente cofundador da Oracle e CEO da Paramount — de cumplicidade no “genocídio” dos palestinianos, Clooney defendeu o direito do ator a expressar-se: “Apoio o direito de Mark Ruffalo a falar livremente. É ridículo. Não vamos proibir as pessoas de se expressarem. Isso faz parte de como a democracia funciona”, disse o ator, produtor e realizador, sublinhando o seu ceticismo quanto à eventual fusão entre a Paramount e a Warner Bros., sobretudo pelas consequências laborais de uma maior concentração empresarial, que poderão provocar despedimentos: “Não vejo como é que a fusão acaba por fazer sentido financeiramente para as pessoas que estão a tentar concretizá-la. Veremos. Fico preocupado quando uma grande empresa engole outra. Preocupo-me sempre que grandes empresas se concentram, porque isso significa que muitas pessoas vão perder os seus empregos.“
A inteligência artificial foi outro dos temas abordados por Clooney, que considera inevitável que a tecnologia venha a assumir um papel muito importante na indústria cinematográfica, embora tema os seus efeitos sobre os atores e outros profissionais.
Sobre a crise do jornalismo e a concentração dos meios de comunicação nas mãos de grandes fortunas, Clooney mostrou-se otimista quanto à capacidade da informação e do bom jornalismo continuarem a chegar ao público, mas deixou o aviso: “O estado do jornalismo está em causa. As pessoas mais ricas do mundo são proprietárias do Washington Post e do Twitter, e isso é preocupante.”
Aos 65 anos, Clooney revelou ainda que pretende reduzir o trabalho como realizador para passar mais tempo com os filhos, privilegiando agora a representação. Entre os projetos futuros está o novo filme da saga Ocean’s, novamente com Brad Pitt e Matt Damon, cuja rodagem deverá avançar quando as agendas dos três atores o permitirem. “Tenho dois filhos de nove anos. Se representar num filme, são três meses [fora]. Se realizar um filme, é um ano. Já não posso fazer isso. Já não posso tirar os miúdos da escola. Estou feliz por voltar a ser ator. “
O Festival de Veneza prolonga-se até dia 12 de setembro.

