O filme chileno “La misteriosa mirada del flamenco”, Diego Céspedes, é o grande vencedor da secção Un Certain Regard, do Festival de Cannes. Este drama repleto de humor e elementos coming-of-age que entra em território do western e leva-nos ao Chile, dos anos 80, mostra uma zona mineira no deserto afetada por uma estranha epidemia que todos associam à comunidade homossexual. É neste mundo que uma menina vai ter de lidar com as reticências e preconceitos dos habitantes da comunidade com quem vive.
Questionado pelo C7nema sobre a origem da ideia para o filme, Diego falou em múltiplas fontes, como ilhas de ideias interessantes que se vão juntando num arquipélago. Porém, uma delas tinha particularmente força e vinha de dentro da própria família do cineasta: “Eu e toda a minha família vimos dos subúrbios de Santiago do Chile. Quando era pequeno, os meus pais abriram um cabeleireiro e contrataram algumas pessoas gays. Todos morreram de Sida. A minha mãe ficou com uma visão muito terrível da doença. Muito preconceituosa. A doença e a forma de morrer era terrível. Diziam que bastava tocar em alguém para contraíres a doença. Esse medo era algo interessante para explorar. O mais importante do filme não é tanto o período histórico, mas as relações pessoais entre estas pessoas“.

Numa premiação onde a atriz portuguesa Cléo Diara (Verão Danado; Nha Mila) conquistou o prémio de melhor interpretação por “O Riso e a Faca“, ao lado de Frank Dillane pela sua presença em “Urchin”, o júri presidido por Molly Manning Walker deu ainda o prémio de melhor argumento a Harry Lighton por “Pillion” e aos irmãos Tarzan e Arab Nasser, pela realização de “Once Upon a Time in Gaza”.
Finalmente, “A Poet”, de Simón Mesa Soto, conquistou o prémio do júri.
O Festival de Cannes encerra amanhã, 24 de maio.

