“O mundo precisa desesperadamente da Dinamarca. Não podemos deixar tudo nas mãos de uma miúda de 16 anos“. É com estas palavras de Ida Auken, antiga líder do comité de alterações climáticas do país da Escandinávia abre “70/30“, filme que deu início ontem ao CPH: DOX, Festival Internacional de Documentários de Copenhaga, que este ano vai decorrer em formato híbrido de 21 de abril a 2 de maio de 2021.
Traçando o percurso desde os protestos na região, impulsionados por Greta Thunberg e a sua “greve climática”, passando pela eleição da social democrata Mette Frederiksen como primeiro-ministro, e pela ambiciosa passagem à prática da famosa política “70/30“, um acordo juridicamente vinculativo para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 70 por cento até 2030, o filme de Phie Ambo acompanha toda a passagem das palavras aos atos, destacando os anseios do ministro dinamarquês do Clima, Energia e Serviços Públicos, Dan Jørgensen, e dos jovens ambientalistas na sua luta por um mundo mais sustentável. Toda a ambição da lei colide de frente com o mundo dos negócios, das petrolíferas e dos próprios planos do ministro da economia, que caracteriza o programa como demasiado ambicioso.
“70/30” sente-se como um objeto dos bastidores e processos políticos de alguma forma ensaiado, mesmo que consiga nos entregar frequentemente momentos esclarecedores e as barreiras para cumprir os desígnios da lei, mantendo os níveis de emprego, índices de felicidade e qualidade de vida dos habitantes do país.
Ambo movimenta-se assim por todas as áreas da ação política e dos ativistas, assentando-se principalmente nos testemunhos individuais dos diferentes grupos de pressão e nos seus discursos para imprensa e público, traçando cronologicamente algumas alterações aos desígnios da lei original, pois essencialmente a meta de 2030 é parcialmente adiada para 2050, usando-se a pandemia Covid-19 como causa.



















