O espírito de Nicolas Roeg (“Don’t Look Now“) paira no ar deste “Here Before”, estreia da argumentista Stacey Gregg nas longas-metragens, mas nem isso, nem a sempre eficaz Andrea Riseborough, são suficientes para nos transportar para algo mais que um mediano conto de suspense derivativo, marcado por traumas e questões de maternidade.
Existe uma ligação imediata entre Laura (Andrea Riseborough) e Megan (Niamh Dornan), a filha de 10 anos dos novos vizinhos da casa ao lado, em quem a primeira revê a sua filha falecida. Aos poucos, através da interação quotidiana, a pequena começa a revelar detalhes que a ligam ao local da sua nova casa e área de habitação (“já estive aqui”, “conheço isto”), o que leva Laura a começar a projetar que a pequena tem uma estranha relação (espíritos? reencarnação?) da sua falecida filha.
O marido de Laura desdramatiza a situação, mas Laura começa uma intensa viagem obstinada em descobrir a verdade, o que a leva muitas vezes em entrar em confrontação com os pais da miúda, que vêm nesta mãe marcada pela morte da filha um caso de psiquiatria e polícia.
Stacy Gregg recorre a planos médios e longos na sua abordagem ao material, deixando o filme carburar em lume brando, a depender muito da atmosfera, sempre preso entre a esfera sobrenatural e o real, focando-se na alteração da psique e comportamento de uma mãe em luto, mas que antes da pequena vizinha do lado chegar tinha dado o assunto como enterrado, com período de nojo ultrapassado.
O resultado final, e quando chega o desenlace, serve apenas de consolo para os que tendem a exigir histórias encerradas, nem que sejam coladas a cuspo. Não só sabem a pouco as respostas como acentuam que todo o valor do filme está na dúvida, na resposta à questão: Estará tudo na cabeça de Laura ou há um elemento sobrenatural em tudo isto?



















